
A ex-primeira-ministra de Bangladesh, Sheikh Hasina, de 78 anos, foi condenada à pena de morte nesta segunda-feira (17), pelo Tribunal Internacional de Crimes (ICT) em Daca. A decisão ocorreu após ela ser considerada culpada por ter ordenado uma violenta repressão contra protestos estudantis ocorridos em 2024, que acabaram provocando sua queda.
O juiz Golam Mortuza Mozumder afirmou que “todos os elementos constitutivos de um crime contra a humanidade estão reunidos” e anunciou uma sentença única: a pena de morte.
Segundo o tribunal, Hasina incitou centenas de execuções extrajudiciais ao dar ordens diretas aos agentes de segurança. Na leitura da sentença, foi declarado que ela “incitou ativistas de seu partido e ordenou a eliminação dos estudantes que protestavam”.
As famílias das vítimas acompanharam a sessão no tribunal e, ao ouvirem a condenação, aplaudiram a decisão.
Acusações, contexto e número de vítimas
A ex-premiê enfrentou cinco acusações entre elas, incitação ao assassinato de manifestantes, uso de armas letais, e omissão no sentido de impedir a violência. Segundo as apurações, durante os protestos de julho e agosto de 2024, entre 1.400 e 1.400 pessoas podem ter morrido, conforme estimativas de organismos internacionais e estudos citados pelo tribunal.
De acordo com a acusação, Hasina teria dado ordens para o uso de helicópteros, drones e armas letais contra os manifestantes. Além disso, o tribunal apontou que ela não tomou medidas para punir os crimes, configurando omissão grave.
Reação e repercussões
Hasina, que vive exilada na Índia desde agosto de 2024, negou todas as acusações e classificou o julgamento como “politicamente motivado” e conduzido por um tribunal “armado por um governo não eleito”.
A condenação também atinge Asaduzzaman Khan, ex-ministro do Interior, que também foi sentenciado à morte. Já o ex-chefe da polícia, Chowdhury Abdullah Al-Mamun, recebeu prisão de cinco anos após se declarar culpado e colaborar com o tribunal.
Caminhos legais e tensões políticas
Segundo especialistas, o veredito pode ser apelado na Suprema Corte de Bangladesh. No entanto, há preocupações de que haja uma intensificação da instabilidade política, sobretudo com eleições previstas para fevereiro de 2026, e diante de acusações de parcialidade no processo judicial.
Essa condenação histórica marca um momento de grande tensão política em Bangladesh e pode desencadear repercussões diplomáticas, especialmente em relação à Índia, país onde Hasina permanece em exílio.
Com informações CNN e AFP
Editado por Débora Costa