
Uma mega operação para servir 120 mil refeições e 12 mil litros de suco em quatro semanas, com média de 4 mil refeições e 400 litros de suco por dia. A previsão de consumo é de 100 toneladas de alimentos orgânicos e agroecológicos. E 80% de toda a alimentação que será consumida virá de produtos da sociobiodiversidade fornecidos por organizações produtivas de agricultores familiares, agroecológicos e de povos e comunidades tradicionais de todos biomas brasileiros de 40 empreendimentos produtivos. Tudo sob a coordenação de uma equipe de 80 pessoas, sendo 69 delas paraenses.
Estima-se que serão adquiridos mais de R$ 1 milhão em produtos, propiciando geração de renda para milhares de famílias de dezenas de territórios onde esses alimentos são manejados e produzidos de forma sustentável, promovendo a conservação da paisagem e da biodiversidade e manutenção dos modos de vida tradicionais e dos serviços ecossistêmicos, trazendo impactos sociais, econômicos, ambientais e climáticos positivos para toda a sociedade e o planeta.
Esses números grandiosos são do Restaurante da Sociobio, que opera na COP 30 através de um consórcio formado pela Cooperativa Central do Cerrado, central de cooperativas que congrega cerca de 40 organizações comunitárias de 9 estados brasileiros (GO, TO, MS, MT, PA, MA, PI, BA e MG) reunindo dezenas de organizações de agricultores familiares extrativistas do cerrado, caatinga e Amazônia; e da Rede Bragantina Economia Solidária – Artes & Sabores, que atua no Pará e articula cerca de 3 mil famílias em 11 municípios, numa rede de empreendimentos agroecológicos e de Economia Solidária.

O espaço está fazendo a alegria – e a economia – de milhares de participantes da conferência que fogem dos preços “salgados” dos dezenas de quiosques de alimentação espalhados pelo espaço da conferência.
Pagando R$ 40,00 o consumidor pode comer à vontade, com direito à suco e uma sobremesa. Os itens do cardápio são atualizados diariamente com opções veganas, sem glúten e lactose.

O que tem no cardápio ???
No cardápio serão oferecidos pratos com o Pirarucu de manejo da Associação de Produtores Rurais de Carauari (ASPROC) do médio Juruá (AM), cordeiro de uma cooperativa silvipastoril do Sertão da Bahia; peixe da pesca artesanal da região de Vigia; e frango orgânico, sem transgênicos. Será servida ainda carne de búfalo criado solto no marajó, produzida a partir de rebanhos sem a associação a desmatamento.
Haverá ainda docinhos de Umbu do Sertão do São Francisco da Coopercuc (BA), pequi da Cooperativa Grande Sertão (MG), macarrão sem glúten com farinha de milho não transgênico da Copirece (BA), arroz orgânico do MST produzido pela COTAP(RS), feijão do MST produzido pela Terra Livre(SC), castanha de baru da Copabase do Vale do Urucuia (MG), suco de “coquinho azedo” da Cooperativa Sertão Veredas(MG), a nossa tradicional farinha de Bragança, óleo de coco de babaçu da Coopalj do Médio Mearim (MA), além de açaí e cupuaçu da Rede Bragantina.

“Sempre ouvimos que a agricultura familiar não tem capacidade de atender em escala e com qualidade, e essa operação na COP 30 mostrou todo nosso potencial. Estamos empenhados em fazer as pessoas entenderem a origem desses alimentos. Não somos uma operação de restaurante, mas de alimentação com base saudável, sustentável e solidária”, diz Carrazza, secretário executivo da cooperativa, que desenvolve atividades produtivas a partir do uso sustentável da biodiversidade nativa.
Trabalho começou 2 semanas antes da conferência
O trabalho teve início em 27 de outubro quando o restaurante começou a atender a toda a estrutura de trabalhadores que atuou na montagem da estrutura da conferência no Parque da Cidade; e ainda a Cúpula de Líderes.
A Cooperativa Central do Cerrado trabalha com a comercialização dos produtos dessas comunidades que estão no interior. “Os produtores conseguem manejar o que a natureza oferece transformar isso em produtos e alimentos, em artesanato e outros itens e se juntaram pra comercializar coletivamente por uma central”, explica o secretário.
A ideia é que a partir da operação na COP 30 e outras estratégias de escoamento da produção, a organização consiga criar alternativas de renda pra que as famílias de agricultores familiares, povos e comunidades tradicionais continuem vivendo de forma tradicional nos seus territórios, mantendo a paisagem e a natureza, “trazendo com isso benefícios não só para quem consome os produtos, mas também para a natureza, o planeta e para sociedade como um todo”, diz Luiz.

O trabalho da cooperativa possui uma conexão forte com os propósitos do evento na medida que a alimentação produzida gera renda, promovendo o cerrado, a caatinga e a floresta em pé. “Nos apresentamos como uma alternativa ao desmatamento, ao avanço das fronteiras agrícolas sobre esses territórios, contribuindo para a desaceleração das emissões, principalmente pelo desmatamento”, garante.
A Central do Cerrado tem sede em Brasília e possui operação em São Paulo. Funciona como uma central de comercialização com operação de alimentação. “Comercializamos nossos produtos para o varejo no virtual e vendemos para a indústria, para restaurantes. Os alimentos podem ser crus ou processados. Em Brasília o serviço de alimentação faz coquetéis e lanches para eventos e a Rede Bragantina faz a mesma coisa aqui em Belém”, ressalta Carrazza.
