Química entre robô e predador é o melhor do filme
Química entre robô e predador é o melhor do filme

Às vezes, o que uma franquia de cinema precisa é mudar de ares, ou melhor de gênero, para se manter viva e conseguir emplacar alguns cifrões generosos para as produtoras que detém seus direitos. Em tempos de vacas magras nas bilheterias nos EUA (e por consequência no mundo todo), um dos caminhos é investir em originalidade nas histórias e construções de mitologias.

É o caso de “Predador – Terras Selvagens” (2025), que tira o aspecto de horror da mitologia e joga os elementos clássicos para uma aventura espacial com toque de humor. O maior mérito desse exemplar da franquia é “humanizar” os Yautja. Criaturas sem remorso e vivendo sob um jugo espartano, há pouco espaço para emoções no jogo dos caçadores. Mas que nesse caso, há uma mudança de rumo.

No caso, temos um jovem predador, rejeitado pelo seu clã, e que precisa encarar os desafios de um planeta desconhecido para provar seu valor. Sua única “guia” é uma simpática robô que está presa naquele mundo sem as pernas (Elle Fanning, ótima no papel), o que estabelece uma boa química no formato “dupla enrascada” dos filmes de gênero.

O filme funciona como um símbolo sobre amadurecimento e adaptação, além da clara mensagem ecológica na trama criada por Dan Trachtenberg, que já está familiarizado com a mitologia dos alienígenas após dirigir o ótimo “Predador – A Caçada” e a boa animação “Predador – Assassino dos Assassinos”. Para os fãs de Alien, há várias referências à franquia-irmã.

Mas se o desvio da intenção original “oxigena” a franquia, também pode gerar questionamentos dos fãs mais ardorosos, afinal é apenas um thriller movimentado e quase bobo, com diálogos simples e motivações simplórias. Mesmo com as boas cenas aceleradas e construção de mundo pelo design de produção (todo o universo dos Yautja é impressionante), não há uma cena memorável ou capaz de prender o espectador por muito tempo.

É quase como um jogo de videogame, com diversas fases até o chefão final. Pelo menos, Trachtenberg consegue fazer boas cenas de ação usando o perfil dos predadores e os elementos de cena. E também tem um bom timing cômico, contando com o ótimo trabalho da equipe de efeitos especiais. Para ver sem grandes expectativas.