Mestre Damasceno, Ruthetty, Guto Chibatada e Théo Pérola Negra marcaram a música e a cultura popular do Pará.
Mestre Damasceno, Ruthetty, Guto Chibatada e Théo Pérola Negra marcaram a música e a cultura popular do Pará.

Pará - O ano de 2025 deixou um vazio profundo na cultura paraense com a perda de três figuras essenciais para a construção artística do estado: a cantora Ruthetty, referência absoluta do tecnomelody; o performer e cantor Guto Chibatada; e o Mestre Damasceno, além do cantor e intérprete Théo Pérola Negra.

Cada um, em sua área, ajudou a moldar a identidade criativa da Amazônia ao longo das últimas décadas e consolidou linguagens que hoje fazem parte da memória coletiva do Pará. A despedida desses três símbolos revela a amplitude da arte paraense: do som eletrônico das aparelhagens ao experimentalismo das performances urbanas, passando pela ancestralidade das tradições populares:

Mestre Damasceno representou a espinha dorsal da cultura popular amazônica. Conhecido pelo trabalho com música, tradições e formação de artistas, ele dedicou a vida à preservação dos saberes comunitários, atuando como educador, líder cultural e guardião de memórias. Seu trabalho influenciou grupos folclóricos, escolas de arte e projetos sociais que utilizam a cultura como ferramenta de inclusão.

Referência da cultura marajoara e do carimbó, o músico e compositor faleceu em Belém, aos 71 anos, em agosto. Ele foi o autor do samba-enredo da escola de samba Grande Rio para o carnaval de 2025, que homenageou a cultura do Pará.

Ruthetty e o Tecnomelody

Rute Gomes dos Santos, mais conhecida como Ruthetty, se tornou um ícone incontornável do tecnomelody. Sua presença cênica, voz marcante e estética inspirada nas aparelhagens transformaram o ritmo em fenômeno pop amazônico. Ela levou o tecnobrega para além das periferias, aparecendo em festivais, programas de TV e projetos culturais que ajudaram a legitimar o gênero nacionalmente.

Ruthetty foi encontrada morta em sua residência em Belém este mês. A Polícia Civil investiga as circunstâncias de sua morte, que envolvem suspeita de feminicídio.

Guto Chibatada e a cena alternativa de Belém

Guto Chibatada, por sua vez, marcou a cena alternativa de Belém com humor crítico, poesia urbana e performances que mesclavam música, teatro e afeto. Sua estética ousada e sua linguagem performática romperam fronteiras, revelando a potência criativa das periferias e provocando debates sobre diversidade e expressão artística livre. Guto tornou-se referência para novas gerações de artistas independentes e consolidou um estilo que permanece vivo mesmo após sua partida. Xibatada morreu em abril de 2025, aos 36 anos, devido a complicações relacionadas à Mpox (varíola dos macacos).

Théo Pérola Negra e o carnaval paraense

Figura icônica do carnaval paraense, Théo Pérola Negra faleceu em outubro. Era reconhecido por sua voz marcante, carisma e paixão pela arte. À frente da escola A Grande Família, emocionou multidões com sua interpretação vibrante, levando alegria e emoção a cada desfile.

Editado por Débora Costa

Luiz Flávio

Paraense, natural de Belém (PA), graduado em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Pará (UFPA) desde 1997. Repórter Especial do jornal Diário do Pará, onde atua desde 1995 na cobertura das editorias de Política, Economia e Cidades. Possui desde 2013 a coluna “Justiça em Fatos”, especializada em notícias jurídicas locais e nacionais, publicada no jornal aos domingos.

Paraense, natural de Belém (PA), graduado em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Pará (UFPA) desde 1997. Repórter Especial do jornal Diário do Pará, onde atua desde 1995 na cobertura das editorias de Política, Economia e Cidades. Possui desde 2013 a coluna “Justiça em Fatos”, especializada em notícias jurídicas locais e nacionais, publicada no jornal aos domingos.