
Nada de inventar a roda: não é a primeira vez que um filme usa a narrativa a partir da visão de um animal. Esse recurso já foi usado à exaustão no cinema, principalmente com cachorros, o pet preferido da sétima arte.
Mas o que “Bom Menino” (2025) tem de original é incorporar uma premissa básica, a do ponto de vista de um simpático cão fiel ao seu dono diante de uma ameaça sobrenatural, usando de técnicas simples do cinema com competência, até para mascarar um roteiro básico, esticado e com alguns furos, problemas facilmente esquecidos quando ficamos apreensivos esperando o destino do nosso “protagonista”.
O carisma de Indy é o que segura o filme, basicamente. O cão foi tão bem treinado que parece realmente estar diante de uma situação limite, mesmo o público sabendo que ele pertence ao próprio diretor, Ben Leonberg, e que teve toda uma estrutura de bem-estar por trás das câmeras.
Leonberg é inteligente por manter os planos e a visão da câmera na altura do animal, dando uma boa perspectiva ao público do que este presencia, inclusive nas (poucas) cenas de susto. A montagem também é ágil ao usar uma técnica pura, mas eficaz, de plano e contraplano nos diálogos do dono com o doguinho e deste diante das ameaças que presencia, criando bons momentos de tensão.
Mas o problema, realmente, reside na história. O diretor tenta extrapolar os limites de um média metragem esticando cenas e perdendo ritmo, não sabendo muito bem o que fazer com a frágil estrutura narrativa que tem em mãos. É como se ele tivesse primeiro filmado o pet e depois pensando em uma história no entorno, mas sem muito sucesso. O baixo orçamento também fica visível na fotografia e na edição, que não consegue transicionar cenas, com o diretor e montador investindo em cortes abruptos e sem muita explicação.
Mesmo assim, é divertido assistir pela perspectiva única em um filme pequeno, mas inventivo. E, claro, pela simpatia do nosso ator principal, que poderia facilmente concorrer a um “oscar canino”, se o prêmio existisse. Para quem gosta de animal, um prato cheio (e um pequeno spoiler: o nosso protagonista não morre no final).