Número de mortes por câncer de próstata cresce 21% no Brasil

A campanha Novembro Azul está acabando e muito pouco foi dito sobre o Câncer de Próstata, que vitimou cerca de 48 homens por dia no ano passado, totalizando 17.587 óbitos no Brasil em 2024. Em um período de dez anos, o número de mortes cresceu 21%, atingindo mais de 159 mil vidas perdidas no total. Um em cada seis homens tem risco de desenvolver a doença ao longo da vida, mas quando diagnosticada precocemente, as chances de cura chegam a 90%.

O Novembro Azul é uma campanha mundial de conscientização sobre a saúde do homem, especialmente focada na prevenção e diagnóstico precoce do câncer de próstata. A iniciativa busca encorajar os homens a adotarem hábitos de vida saudáveis e a realizar exames periódicos para cuidar da saúde de forma integral.

Falar abertamente sobre câncer de próstata é fundamental para evitar atrasos no diagnóstico. No dia a dia da prática clínica, ainda é comum encontrar homens com exames alterados há bastante tempo, que não procuram um urologista nem buscam orientação. Esse comportamento faz com que muitos recebam o diagnóstico tardiamente, reduzindo as chances de cura.

A oncologista Maria Alzira Rocha comenta sobre esse tema em artigo publicado recentemente. Com o título “Câncer de próstata: por que tantos homens demoram a buscar o diagnóstico?”, a especialista revela que ideias equivocadas sobre exames, sintomas e riscos seguem sendo barreiras para o cuidado

“Falar abertamente sobre câncer de próstata é fundamental para evitar atrasos no diagnóstico. No dia a dia da prática clínica, ainda é comum encontrar homens com exames alterados há bastante tempo, que não procuram um urologista nem buscam orientação. Esse comportamento faz com que muitos recebam o diagnóstico tardiamente, reduzindo as chances de cura”, destaca a oncologista do Einstein Hospital Israelita que integra o Comitê Científico do Instituto Vencer o Câncer.

“Entre os mitos que mais prejudicam a saúde masculina, um dos mais persistentes é a ideia de que o exame de toque pode afetar a masculinidade. Essa crença não tem qualquer fundamento. É um pensamento que atravessou gerações, mas não corresponde à realidade”, revela a Dra. Maria Alzira Rocha.

Segundo ela, o toque retal é um exame simples, rápido e focado na avaliação da área da próstata em que o tumor costuma surgir com maior frequência. “Ele não interfere na libido, desempenho sexual ou qualquer outro aspecto ligado à saúde íntima. Fatores muito mais comuns, como obesidade, diabetes descontrolado, colesterol elevado e doenças cardiovasculares, têm impacto muito maior sobre essas funções, não o exame preventivo”, afirma.

Outro equívoco frequente, detalha a médica, é a ideia de que o câncer de próstata ocorre apenas em homens mais velhos. “Apesar de ser mais comum com o avanço da idade, isso não é uma regra absoluta. Há casos diagnosticados em homens mais jovens. Por isso, recomenda-se iniciar o acompanhamento com PSA e exame de toque a partir dos 50 anos, ou dos 45 quando há histórico familiar, podendo começar até antes, dependendo da situação clínica”.

A médica enfatiza ainda que a ausência de sintomas não significa ausência de doença. O câncer de próstata, em sua fase inicial, quase nunca provoca sinais perceptíveis. Isso quer dizer que esperar sinais aparecerem é um erro que pode comprometer todo o curso do tratamento. Quando os sintomas surgem, muitas vezes a doença já está em estágio mais avançado.

Por fim, outro mito muito comum, explica a doutora, é o receio de que a biópsia possa “espalhar” o tumor. Isso não tem base científica. A biópsia é uma etapa essencial tanto para confirmar o diagnóstico quanto para determinar o risco da doença e definir, com precisão, o melhor caminho terapêutico.

Para a Dra Maria Alzira Rocha, desfazer esses mitos é parte essencial da prevenção. Informação de qualidade e acompanhamento médico regular são as ferramentas mais eficazes para proteger a saúde do homem e garantir diagnósticos no momento certo.