
No final de cada ano, as celebrações de Réveillon se espalham pelo globo ao longo de mais de um dia, e o primeiro país a celebrar oficialmente o Ano Novo é Kiribati, uma pequena nação insular no coração do Oceano Pacífico. Parte do arquipélago, especialmente as Ilhas Line, como Kiritimati, está no fuso horário UTC+14, o mais avançado do planeta. Isso faz com que, quando os fogos estouram ali à meia-noite de 1º de janeiro, grande parte do mundo ainda esteja vivendo as últimas horas do ano anterior.
A explicação passa pela Linha Internacional de Data, uma fronteira imaginária que separa os dias no mapa-múndi. Em 1995, o governo de Kiribati decidiu reposicionar seus fusos horários para que todas as ilhas do país compartilhassem o mesmo dia no calendário. A medida acabou projetando o país como o primeiro a virar o ano, transformando essa condição geográfica em símbolo e até em atrativo turístico para quem busca iniciar o novo ciclo antes de todo o resto do planeta.
No extremo oposto da contagem regressiva está a Samoa Americana, território dos Estados Unidos também localizado no Pacífico, mas no fuso UTC−11. Por estar quase um dia inteiro atrás de Kiribati, o local figura entre os últimos pontos habitados do mundo a celebrar a chegada do Ano Novo. Entre o primeiro brinde em Kiritimati e os últimos fogos na Samoa Americana, passam-se quase 26 horas, um intervalo que revela como decisões políticas, linhas imaginárias e a rotação da Terra moldam a maneira como o mundo compartilha um mesmo calendário, ainda que em tempos tão diferentes.