
O Web Summit 2025, um dos maiores eventos de tecnologia do mundo, reuniu em Lisboa, entre 10 e 13 de novembro, 71.386 participantes de 157 países. Durante quatro dias, CEOs, empreendedores, estudantes e pesquisadores percorreram estandes, acompanharam palestras e conheceram inovações tecnológicas de diferentes continentes. Entre as 2.725 startups presentes, sendo 380 brasileiras, a reportagem do DIÁRIO NA EUROPA encontrou a NeuroIdentify, co-fundada pelo paraense Gleyson Santos, natural de Belém.
A participação de negócios emergentes ocupou papel central no evento — algo destacado pelo CEO do Web Summit, Paddy Cosgrave, na noite de abertura. “Há dez anos já parecia que o mundo estava mudando rapidamente, mas não é nada comparado com a rapidez com que o mundo está mudando hoje”, afirmou. Ele lembrou ainda que a fintech Revolut, hoje avaliada como a empresa privada de tecnologia mais valiosa da Europa, surgiu no evento quando tinha apenas três funcionários.
Nesse cenário de inovação, a NeuroIdentify apresentou sua plataforma voltada a apoiar professores na identificação de estudantes com neurodivergências — como autismo e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) — e à adaptação de ensino em níveis cognitivo, motor e social. “Trabalhamos para facilitar o desenvolvimento do estudante e apoiar professores e escolas no processo de inclusão”, explica Santos.
Inclusão e acessibilidade
Criada há um ano em Belém, a startup nasceu dentro de uma disciplina universitária sobre inclusão e acessibilidade. O desafio proposto — encontrar formas de identificar precocemente estudantes neurodivergentes — levou à formação de uma equipe e ao desenvolvimento da solução tecnológica hoje em operação. O aplicativo é comercializado para escolas, redes de ensino e governos, segundo Gleyson.
A NeuroIdentify, diz ainda o empreendedor, já atua no Pará, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, e planeja expandir para outros estados e para o exterior. Gleyson Santos, que participou do Web Summit Lisboa pela segunda vez, contou com apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). “Temos feito pontes com instituições brasileiras e buscamos abrir caminhos também em Portugal. Há organizações, universidades e ONGs aqui que podem fortalecer nossa expansão”, afirma.
Segundo ele, que tem como sócio o também paraense David Cabral, a carência de ferramentas para lidar com neurodivergências ainda é grande em escolas públicas e privadas. “Muitas instituições têm estrutura, mas os professores carecem de capacitação técnica — e, muitas vezes, de tempo para realizá-la. Nossa proposta é oferecer um apoio preventivo para que essas crianças tenham uma vida plena no futuro”.
Formado em gestão comercial, Gleyson Santos vive atualmente em Buenos Aires, na Argentina, e retorna a Belém em dezembro. Para ele – que tem como parceira a Superintendência de Inovação e Desenvolvimento da Universidade Federal do Pará (SinD/UFPA) – o Web Summit é um ponto de encontro estratégico. “É uma oportunidade essencial para dialogar com startups, empresas e lideranças de vários países, inclusive de toda a União Europeia e da América do Sul”, finaliza o empreendedor paraense.
*Sérgio Augusto do Nascimento é um jornalista paraense que vive em Portugal. Foi repórter e editor e hoje é correspondente do DIÁRIO na Europa.






