
O Papa enviou uma mensagem às Igrejas particulares do Sul Global, reunidas no Museu das Amazônias, em Belém, nesta segunda (17). Na saudação, o pontífice destacou o papel dos cardeais Jaime Spengler, Fridolin Ambongo e Felipe Neri Ferrão, representantes dessas comunidades na conferência climática da ONU. Segundo ele, os líderes religiosos estão “dizendo ao mundo com palavras e gestos que a Amazônia continua sendo um sinal vivo da criação com uma urgente necessidade de cuidado”.
Leão XIV ressaltou que esses representantes “escolheram a esperança e a ação frente à desesperação, construindo uma comunidade global que trabalha em conjunto”. Apesar dos avanços, afirmou que “ não são suficientes”, e que “a esperança e a determinação devem se renovar, não só com palavras e aspirações, mas também com ações concretas”.
O Papa também chamou atenção para os impactos já visíveis da crise climática, citando “enchentes, secas, tormentas e calor implacável”, fenômenos que colocam “uma em cada três pessoas viva em grande vulnerabilidade em consequência dessas mudança”. Para ele, a mudança climática “não é uma ameaça distante”, e ignorar essas populações significa “negar nossa humanidade compartilhada”.
Leão XIV lembrou que ainda é possível manter o aquecimento global abaixo de 1,5 °C, mas alertou que “a janela está se fechando”. Ele reforçou o chamado para que todos ajam “com rapidez, fé e profecia” na proteção da criação.
Acordo de Paris e a Crise Climática
Ao comentar o Acordo de Paris, o pontífice afirmou que o tratado “continua sendo nossa ferramenta mais poderosa” para enfrentar a crise climática, mas destacou que “não é o Acordo que está falhando, senão nossa resposta”. Segundo ele, falta vontade política, e a verdadeira liderança exige ações capazes de gerar impacto real. Ele defendeu que medidas firmes resultam em economias mais sólidas e justas, contribuindo para um mundo mais estável.
O Papa também destacou que cientistas, líderes e autoridades religiosas devem atuar como guardiões da criação, unidos e não em disputa pelos recursos naturais. Ele pediu uma mensagem global de apoio ao Acordo de Paris e à cooperação climática.
Ao final, Leão XIV expressou o desejo de que o Museu das Amazônias seja lembrado como o local onde a humanidade escolheu a cooperação em vez da negação e da divisão. O pontífice concluiu pedindo que “Deus abençoe a todos em seus esforços por seguir cuidando a criação de Deus”.
Durante o evento no Museu, as Igrejas do Sul Global doaram um item ao acervo do Museu.