
A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk iniciou nesta segunda-feira (5) a venda, nos Estados Unidos, da versão em comprimido do Wegovy, seu principal medicamento para perda de peso. O lançamento marca uma nova fase na disputa entre gigantes do setor por um mercado que movimenta bilhões de dólares.
Segundo a Reuters, a empresa colocou no mercado as doses iniciais de 1,5 mg e 4 mg ao preço de US$ 149 por mês para pacientes sem cobertura de planos de saúde. As dosagens mais altas, de 9 mg e 25 mg, custarão US$ 299 mensais, enquanto a dose de 4 mg terá reajuste para US$ 199 a partir de 15 de abril.
A estratégia mira especialmente consumidores que não recebem reembolso de seguros de saúde. Para a agência, “sucesso da pílula da Novo estará atrelado à capacidade de atrair clientes que pagam do próprio bolso”, representando uma mudança relevante em relação ao modelo tradicional de negociação de preços com operadoras de saúde.
O lançamento ocorre em meio a uma disputa direta com a americana Eli Lilly, que aguarda ainda em março uma decisão regulatória sobre sua própria pílula para emagrecimento e já sinalizou preços de até US$ 399 mensais para as doses mais altas. Atualmente, o injetável Zepbound, da Lilly, vem superando o Wegovy em número de prescrições semanais nos EUA.
Primeiro GLP-1 oral para obesidade
Em comunicado oficial, a Novo afirma que o Wegovy pill é o primeiro medicamento oral da classe GLP-1 aprovado para tratamento da obesidade no país. A autorização do FDA ocorreu em 22 de dezembro de 2025, para adultos com obesidade ou sobrepeso associado a comorbidades, sempre em conjunto com dieta hipocalórica e aumento de atividade física.
O comprimido é baseado na semaglutida, mesmo princípio ativo das versões injetáveis do Wegovy e do Ozempic. Em estudo clínico de fase 3 (OASIS 4), com duração de 64 semanas, pacientes que seguiram o tratamento tiveram perda média de 17% do peso, contra 3% no grupo placebo. Considerando todos os participantes, a redução foi de 14% com o medicamento e 2% com placebo.
A empresa também informa que 76% dos usuários perderam ao menos 5% do peso corporal, ante 31% no grupo placebo. Os efeitos colaterais mais comuns foram náuseas, diarreia e vômitos, semelhantes aos observados na versão injetável.
Distribuição e impacto no mercado
De acordo com a Reuters, o Wegovy em comprimido será comercializado por grandes redes como CVS e Costco, além de plataformas de telessaúde como Ro, LifeMD, WeightWatchers, GoodRx e a farmácia própria da Novo. Após o anúncio, ações dessas empresas subiram entre 3% e 14%, enquanto os papéis da Novo avançaram cerca de 5% em Copenhague. Já a Eli Lilly registrou queda de 3,5% em Nova York.
Os medicamentos injetáveis para obesidade chegam a custar cerca de US$ 1.000 por mês nos EUA. Diante disso, tanto a Novo quanto a Lilly vêm reduzindo preços para consumidores sem seguro. Desde novembro, a Novo já oferece a versão injetável do Wegovy por US$ 349 mensais para esse público.
A farmacêutica afirma que a versão oral “abre novas possibilidades para mais de 100 milhões de americanos que vivem com obesidade” e reforça que a iniciativa busca ampliar o acesso ao tratamento para pacientes que não querem ou não podem utilizar injeções.