
A adoção da Inteligência Artificial (IA) Agêntica deve atingir o mercado de consumo em massa em 2026. A previsão é da pesquisa “O Impacto da Tecnologia em 2026 e Além”, realizada pelo Instituto dos Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEE), e que avalia os impactos disso na demanda por profissionais da área e nos setores econômicos e na própria área da tecnologia. A pesquisa envolveu líderes globais de tecnologia do Brasil, China, Índia, Japão, Reino Unido e EUA.
Diferente da IA tradicional, a chamada IA agêntica pode definir metas, planejar e executar tarefas com mínima ou nenhuma intervenção humana. Portanto, a expectativa é de que ela possa ser amplamente utilizada como ‘assistente inteligente’ para tarefas do dia a dia, como personal shopper, organizador de agenda, gerente de privacidade de dados e monitor de saúde.
De acordo com o estudo, os setores de desenvolvimento de software, bancos e serviços financeiros, e mídia e entretenimento terão maior mudança impulsionada pela IA em 2026, seguido pelos setores de saúde, educação, telecomunicações e energia.
Membro sênior do IEEE e professora do Departamento de Engenharia de Produção e do Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Vanessa Schramm destacou que, de uma forma geral, o mundo está muito em sintonia sobre o desenvolvimento da IA. E o que se observa é que será necessário capacitar a população para ter acesso a esses serviços mediados pela inteligência artificial. “A gente viu nos resultados que dos três setores que sofreram maior transformação em decorrência da adoção da IA, dois deles são setores de serviços: saúde e o que eles classificam como bancos e serviços financeiros. No caso do Brasil, aparece também em uma quarta posição também o setor de educação. E quando se pergunta os principais usos da IA para 2026, os respondentes do Brasil indicaram que automação de serviços aparece no top 3”, destacou. “A gente percebe que existe uma indicação do mercado de que teremos muitas operações de serviço baseadas em IA já para 2026 e nas operações de serviço em que o consumidor participa de forma ativa da operação. Logo, se a gente está falando de serviços que são baseados em IA, a gente precisa também ter um consumidor que seja capacitado no uso desses serviços. E estamos falando de serviços que são básicos, serviços de saúde, de capacitação, que vão alcançar uma população bem geral”.
Para a pesquisadora, o cenário aponta para a urgência de se considerar o aspecto do analfabetismo digital nas políticas públicas do país. “A gente precisa capacitar as pessoas no uso das aplicações de inteligência artificial e, da mesma forma, a gente precisa ter mão de obra qualificada no desenvolvimento dessas aplicações”. Segundo a pesquisa, por exemplo, o crescimento da IA agêntica deve impulsionar uma onda de contratações de analistas de dados para avaliar a precisão dos resultados, a transparência e as vulnerabilidades de um maior volume de dados no mundo.
Especialmente na área da saúde, a membro sênior do IEEE, professora e pesquisadora da Universidade de Brasília (UNB) e pós-doutora pelo MIT (Massachussets Institute of Technology), Suélia Fleury, destaca que o que mais chamou a atenção na pesquisa é que 28% dos setores de saúde estão impulsionados nessa mudança de IA. A própria robótica aliada à IA agêntica, por exemplo, é um setor que deve impactar em 56% o setor de saúde no Brasil. “Eu acho que as nossas universidades precisam visitar os nossos currículos atuais para, justamente, incorporar a necessidade desse impacto que a IA vai trazer dentro da educação, mas também o EBSERH, que são os nossos hospitais de educação. Hoje, a gente não tem base instalada para dados, para rodar IA e para uso de robótica dentro dos hospitais por conta de estrutura”, avalia. “Um ponto importante é que 46% dos participantes acreditam que construir essa infraestrutura leva de três a quatro anos, então, em termos de demanda crescente e do timeline que nós temos, é possível a gente conseguir políticas públicas de saúde e ensino associadas à necessidade do mercado para fazer essa interação”.
Se essa infraestrutura vai estar pronta daqui a três a quatro anos, o membro do IEEE e professor em Fundação Hermínio Ometto, Juan Galindo, destaca que o mundo precisa dar alguns passos importantes. “Estamos vendo uma realidade em que cada vez mais estamos chegando no momento em que a IA começa a ter uma maior interação física com os usuários. No Brasil, por exemplo, além da robótica dentro da área de tecnologia, foi falado, por exemplo, sobre a carga de veículos elétricos. Então, estamos vendo, de novo, uma aplicação que tem uma interação com o mundo real e tudo isso está apontando para essa linha que é desafiadora”, disse. “Precisamos de mais infraestrutura, de um ambiente regulatório bem preparado, precisamos criar um ecossistema que impulsione tudo que é high tech e que trabalhe com o desenvolvimento de competência para os profissionais e que comece a criar uma série de redes no mundo para uma rápida implantação e um rápido desenvolvimento do uso das tecnologias”.
SETORES
Setores que terão maior mudança impulsionada pela IA em 2026, segundo os respondentes da pesquisa:
*Desenvolvimento de Software (60%)
*Bancos e Serviços Financeiros (48%)
*Mídia e Entretenimento (48%)
*Saúde (28%)
*Educação (28%)
*Telecomunicações (18%)
*Energia (16%).
USOS
Para os líderes entrevistados, em 2026, a adoção em massa ou quase em massa da IA agêntica pelos consumidores ocorrerá para os seguintes usos:
52% – Assistente pessoal | organizador de agenda | gerenciador de calendário familiar
45% – Gerente de privacidade de dados
41% – Monitor de saúde
41% – Automatizador de tarefas e afazeres (por exemplo, pedidos de supermercado)
36% – Curador de notícias e informações
HABILIDADES
Principais habilidades que os profissionais de tecnologia vão buscar em candidatos para funções relacionadas à IA em 2026:
44%) – habilidades em práticas éticas de IA (+9% em relação ao ano anterior)
38% – habilidades em análise de dados (+4% em relação ao ano anterior)
34% – habilidades em aprendizado de máquina (+6% em relação ao ano anterior)
32% – habilidades em modelagem de dados, incluindo processamento (sem alteração em relação ao ano anterior)
32% – habilidades em desenvolvimento de software (-8% em relação ao ano anterior)
Fonte: Pesquisa “O Impacto da Tecnologia em 2026 e Além: um Estudo Global do IEEE”.
Editado por Débora Costa