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Pesquisadores do Hospital Kitano, em Osaka, e da Universidade de Kyoto, no Japão, deram um passo que até pouco tempo parecia coisa de ficção científica: começaram os testes em humanos de um medicamento experimental capaz de estimular a regeneração de dentes perdidos. A expectativa dos cientistas é que a nova terapia se transforme, até o fim da década, em uma alternativa real às dentaduras e aos implantes, com previsão de uso amplo até 2030 — nada mal para quem já se conformou com a prótese no copo d’água.

A iniciativa é liderada por Katsu Takahashi, chefe do departamento de odontologia e cirurgia oral do Hospital Kitano, que há anos se dedica a estudar os genes responsáveis pelo crescimento dentário. Em 2021, a equipe publicou na revista Scientific Reports resultados promissores obtidos em camundongos, demonstrando que o bloqueio da proteína USAG-1 permitiu o nascimento de novos dentes, algo que a ciência considerava, até então, fora de alcance em mamíferos.

Com os bons resultados acumulados em testes com animais, os pesquisadores decidiram avançar. Em 2024, o projeto entrou oficialmente na fase de testes clínicos em humanos. Em entrevista concedida no ano anterior, Takahashi afirmou que, se a eficácia se confirmar, o tratamento poderá devolver dentes perdidos por envelhecimento, acidentes ou condições genéticas, eliminando a dependência de próteses e implantes. É a ciência moderna resgatando uma velha aspiração humana: perder um dente, sim — mas não para sempre.

Editado por Débora Costa