Iustração de Nostradamus - Getty Images
Iustração de Nostradamus - Getty Images

Faltando apenas 22 dias para o final de 2025, Nostradamus, astrólogo francês frequentemente tratado como vidente, volta a ser citado por supostas previsões de acontecimentos catastróficos para o último trimestre do ano. Escritas em linguagem obscura e repleta de metáforas, suas profecias mencionaram conflitos envolvendo a Inglaterra, a queda de um meteoro, o surgimento de uma nova pandemia e o encerramento de uma longa guerra, interpretação que alguns associam ao conflito entre Rússia e Ucrânia, no Leste Europeu.

Em um de seus versos, o astrólogo descreve um cenário de exaustão militar: “após longas guerras, todo o exército ficou exausto, de modo que não havia dinheiro para os soldados; em vez de ouro ou prata, passaram a cunhar couro, bronze gaulês e o crescente lunar”, trecho que costuma ser usado para sustentar leituras sobre o esgotamento econômico provocado por conflitos prolongados.

A Inglaterra também aparece nos escritos de Nostradamus como palco de instabilidade. “Quando os povos das terras da Europa virem a Inglaterra erguer seu trono atrás de seus flancos, haverá guerras cruéis”, escreveu o francês, segundo reportagem do tabloide britânico Mirror, frase que alimenta interpretações sobre tensões políticas e militares no Reino Unido. Outra passagem frequentemente citada trata do retorno de uma grande epidemia. “O reino será marcado por guerras tão cruéis, inimigos de dentro e de fora surgirão. Uma grande pestilência do passado retorna, nenhum inimigo mais mortal sob os céus”, registrou o astrólogo, em texto associado à ideia de uma nova pandemia global.

Entre as previsões atribuídas ao fim de 2025 também está a queda de um asteroide na Terra. “Do cosmos, uma bola de fogo se erguerá, um prenúncio do destino, o mundo implora. Ciência e destino em uma dança cósmica. O destino da Terra, uma segunda chance”, escreveu Nostradamus, conforme reportagem do site Penn Live. No campo político, seus versos falariam ainda do choque entre grandes potências, interpretação que alguns leitores modernos relacionam a temores de uma crise nuclear. Há também a menção à ascensão de um líder ligado à água, imagem que especialistas contemporâneos costumam associar aos riscos provocados pelo aumento do nível dos mares.

Repercussão e Interpretações das Previsões

Diante da repercussão dessas leituras, especialistas pedem cautela. A analista de fenômenos psíquicos da Trusted Psychics, Joanne Jones, afirmou ao Mirror que houve um aumento perceptível da ansiedade pública após a circulação de interpretações alarmistas dos quartetos de Nostradamus. Segundo ela, é fundamental lembrar que o astrólogo escreveu de forma simbólica e deliberadamente ambígua. Jones observa que, historicamente, muitas previsões atribuídas a Nostradamus foram moldadas para se encaixar nos medos de cada época, o que faz com que a reação atual diga mais sobre a ansiedade coletiva contemporânea do que sobre eventos futuros concretos.

Embora algumas leituras também apontem para um declínio da influência das nações ocidentais e a ascensão de novos poderes globais, especialistas destacam a necessidade de manter distância crítica dessas interpretações. Considerando o contexto histórico, a linguagem metafórica e o hábito humano de procurar sentido no caos continua sendo, como diria o bom e velho ceticismo, a forma mais segura de atravessar previsões que atravessam séculos sem jamais perder o talento de assustar.