
O navio de assalto anfíbio USS Iwo Jima (LHD-7) ganhou destaque nas manchetes internacionais neste sábado (3) não apenas por seu poderio militar, mas por ter se tornado o local onde estão sob custódia dos Estados Unidos o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e a primeira-dama, Cilia Flores. A embarcação está atracada em Porto Rico após uma operação militar realizada no Caribe, considerada um dos episódios geopolíticos mais relevantes dos últimos anos.
Atualmente integrado às ações antidrogas e de segurança dos Estados Unidos na região, o USS Iwo Jima teve sua missão alterada de forma significativa com a detenção de Maduro. A informação foi confirmada pelo próprio presidente norte-americano, Donald Trump, por meio de publicações nas redes sociais, reforçando o papel central do navio na operação.
Um símbolo histórico da Marinha dos EUA
A construção do USS Iwo Jima teve início em 1996, no estado do Mississippi, e desde sua origem a embarcação carrega forte simbolismo histórico. Durante a cerimônia de batimento de quilha, em 1997, o capitão Jacklyn H. Lucas, condecorado com a Medalha de Honra por sua atuação na Batalha de Iwo Jima, em 1945, depositou dentro do casco do navio sua citação original — que permanece ali até hoje.

Na viagem inaugural, em 2001, o navio foi acompanhado por mais de dois mil veteranos da Segunda Guerra Mundial, consolidando-se como um símbolo da Marinha americana em um momento sensível, pouco tempo após os ataques de 11 de setembro.
Missões militares e humanitárias
Com quase 25 anos de serviço, o USS Iwo Jima, da classe Wasp, participou de diversas operações militares e humanitárias ao redor do mundo. Entre as principais missões estão o envio de fuzileiros navais durante a Guerra do Iraque, em 2003; a liderança de uma força-tarefa humanitária na Libéria no mesmo ano; a evacuação de cidadãos americanos durante a crise no Líbano, em 2006; e o apoio à possível retirada da embaixada dos Estados Unidos no Iêmen, em 2015.
Quartel-general presidencial
O navio também já serviu como base estratégica para ações presidenciais. Em 2005, após o Furacão Katrina, o USS Iwo Jima navegou pelo rio Mississippi até Nova Orleans, tornando-se o centro de comando das operações federais e estaduais de resposta ao desastre. À época, foi a única plataforma com pista de pouso funcional para helicópteros na região, funcionando como quartel-general do então presidente George W. Bush.
Esse histórico faz do USS Iwo Jima uma das raras embarcações a hastear oficialmente a bandeira presidencial dos Estados Unidos.
Agora, ao se tornar o local de custódia de Nicolás Maduro, o navio volta ao centro da história contemporânea, unindo passado militar, simbolismo político e o impacto de uma operação que segue repercutindo na diplomacia internacional.