Foto: Divulgação / Sebrae/PA
Foto: Divulgação / Sebrae/PA

As mulheres da floresta têm assumido um papel cada vez mais estratégico no redesenho econômico da Amazônia. Em um mundo cada vez mais pressionado pelos efeitos da crise climática que, de acordo com a própria Organização das Nações Unidas (ONU), já obriga parte significativa da população a deixar seus territórios – essas mulheres têm ampliado redes de produção sustentável, garantindo renda, reforçando a independência econômica feminina e ajudando a manter a floresta em pé.

Esse movimento, que já redesenha cadeias produtivas em várias regiões do Estado, chegou à COP30 com um espaço de 17 mil metros quadrados, a En-Zone, administrada pelo Sebrae Pará, especialmente para dar visibilidade aos micro e pequenos negócios amazônicos, muitos deles liderados por mulheres.

Responsáveis por 52% dos pequenos negócios no Brasil – e com maior escolaridade média que os homens – elas estão diversificando a produção para além do cacau, dos cosméticos e das biojoias, criando brinquedos, vinhos, alimentos veganos e outros produtos que combinam saberes ancestrais com inovação sustentável.

O Sebrae no Pará acompanha esse avanço. Para o diretor-superintendente da entidade, Rubens Magno, o momento é decisivo. “Temos que aproveitar este momento em que os holofotes do mundo estão voltados para o nosso estado para alavancar ainda mais os pequenos negócios”, destacou. Ele reforça que “a COP 30 traz oportunidades de chegar a novos mercados no estado, no nosso país e fora dele”.

Experiências e Trajetórias de Sucesso

Entre essas experiências bem-sucedidas está a Fabrika de Bonecos, comandada por Larissa Mena. O negócio combina cultura e educação ambiental ao transformar lendas, animais e símbolos amazônicos em brinquedos artesanais feitos sem aditivos químicos. Cada peça resgata a memória regional e incentiva uma relação mais sensível com o brincar.

Outra trajetória marcante é a de Ana Cláudia de Souza Araújo, fundadora da By Essence Cosméticos. O empreendimento nasceu a partir de pesquisas realizadas por ela na Universidade Federal do Pará (Ufpa), inicialmente voltadas para o controle de qualidade de óleos comestíveis. Ana Cláudia reforça que o suporte institucional foi determinante: segundo ela, o Sebrae “abriu portas para mostrarmos os produtos em feiras nacionais como a Beautiful Fair e internacionais, a exemplo da Naturaltech”.

Inovação Sustentável na Amazônia

A transformação que vem da floresta também se expressa nos sapatos de Maria Zélia Machado Damasceno, que lidera a Seringo Amazon Shoes. A empresa compra o excedente do látex produzido por famílias de seringueiros, muitas delas chefiadas por mulheres, e o transforma em artesanato, biojoias e calçados ecológicos. Além da geração de renda, o modelo fortalece a permanência das comunidades na floresta e garante proteção social.

Processos Criativos e Sustentáveis

Outras empreendedoras ampliam ainda mais esse ecossistema criativo e sustentável. Acenet Andrade, da Flor do Igarapé, produz peças autorais utilizando materiais naturais em um processo “slow”, que valoriza a biodiversidade local e o fazer manual. Yasmin Cantuária Moutinho cria chocolates veganos feitos apenas com ingredientes nativos e adquiridos de pequenos produtores, oferecendo produtos sem glúten, sem leite e com rótulo “clean label”.

A Força Empreendedora dos Povos Indígenas

Já entre os povos indígenas, a força empreendedora também se destaca: Wenatoa Parakana, da Kania Arte Indígena, cria peças a partir de sementes, fibras e miçangas, fortalecendo a identidade cultural e garantindo renda para sua comunidade.

Editado por Luiz Octávio Lucas