Ministro lidera evento de alto nível que debate papel das cidades para acelerar urbanização e ações climáticas

O Ministro das Cidades, Jader Filho, liderou no final da tarde de hoje a sessão plenária de encerramento de alto nível sobre urbanização e mudanças climáticas, tendo como tema “O papel das cidades e regiões para acelerar a ação climática e traçar o caminho a seguir”, que contou com a participação de várias entidades locais, nacionais e internacionais como o prefeito da Califórnia, Gavin Newson, o presidente da COP 30, André Corrêa do Lago , a diretora executiva da ONU Habitat, Ana Claudia Rossbach; e o governador do estado Helder Barbalho. Foi a principal reunião da tarde na área da Blue Zone e representa a consolidação da pauta das Cidades no evento.

Entre as presenças de destaque estava Katrin Stjernfeldt Jammeh, prefeita de Malmö e presidente do ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade, rede global de mais de 2.500 governos locais e regionais comprometida com o desenvolvimento urbano sustentável. A entidade é ativa em mais de 130 países.

Em seu discurso, o governador da Califórnia, Gavin Newson falou sobre o posicionamento anti Trump e o papel de liderança da Califórnia sendo uma economia próspera e verde. Mencionou ainda que fazia questão de estar presente na COP 30 e mostrar que existem lideranças nos EUA que não são negacionistas. Afirmou ainda que “o governo Trump é temporário” e que na Califórnia “há um compromisso de longo período com a sustentabilidade”

            Jader Filho destacou que se prefeitos e governadores não estiverem totalmente incluídos nas discussões travadas na COP 30 não há a menor possibilidade de implementação das medidas tomadas na conferência. Ele lembrou que até 2050 70% da população do planeta está vivendo, e estará vivendo nas cidades Essa urbanização já aconteceu no Brasil.

“Cerca de 87% da nossa sociedade dos brasileiros e brasileiros vivem em cidades. Outro dado importante é que 80% das emissões partem das cidades. Como é que nós podemos pensar numa solução para o nosso planeta que não passe pelas cidades se 80% da agressão que acontece ao nosso meio ambiente está nas cidades?”, questionou.

            Para o ministro, mais que a COP da Floresta, a COP 30 precisa ser a COP das Cidades e as deliberações precisam ser tomadas de maneira conjunta, sobretudo no que se refere a financiamento. “Hoje muito pouco dos fundos destinados ao clima chegam nas cidades para que que essas cidades possam implementar suas políticas. Por essa razão precisamos dialogar com todas as lideranças que se encontram aqui para ver como esses recursos cheguem onde devem chegar”, apontou Jader.

            O ministro lembrou que a população mais pobre é a primeira a sentir os impactos climáticos extremos São essas pessoas que estão esperando que todos nós que estamos hoje, aqui todos essa responsabilidade é nossa, quando a gente pega um crachá desse aqui. “São essas pessoas, que vivem em beira de córregos e encostas que esperam que todos nós que estamos debatendo as transformações climáticas futuras possamos efetivá-las para que as vidas delas também sejam transformadas e se tornem mais seguras”

            Esse futuro, disse Jader, passa pelo processo de descarbonização das cidades, pela redução da frota de veículos para reduzir a emissão de gás carbônico e de tratamento de esgoto. “Apenas 17% do esgoto da Amazônia é tratado. E sabe onde esse esgoto é jogado? Nos rios… Toda essa infraestrutura não vai aparecer como num passe de mágica. O Brasil não é responsável pela maior parte das emissões no mundo, mas sim os países mais desenvolvidos, que devem contribuir com a maior parte do financiamento para conseguirmos tornar essa infraestrutura uma realidade”, diz.

Realizar uma COP na Amazônia impõe muitos desafios, afirma Helder

O governador Helder Barbalho destacou que realizar uma COP numa cidade como Belém, no coração da Amazônia, impõe muitos desafios como conciliar a agenda de preservação da natureza e a contribuição que essa preservação representa para a população que vive nas áreas urbanas.

“A floresta da Amazônia exerce um papel fundamental que é a de captar grande parte do gás carbônico que não é produzido por nós, mas sim pelos grandes centros mais desenvolvidos e longe daqui. Isso nos faz refletir sobre qual o papel o Norte Global deve exercer para o Sul Global. Qual o papel que os países desenvolvidos devem exercer no financiamento para que os países menos desenvolvidos baixem suas emissões. Na Amazônia 80% das pessoas vivem nas cidades”, ressaltou o governador.

O chefe do executivo paraense reforçou que a agenda das mudanças climáticas deve necessariamente passar pela agenda dos centros urbanos, e que muitas vezes é discutida transição energética, preservação da floresta e redução do desmatamento deixando os ambientes urbanos em terceiro plano, sem uma conciliação que promova o bem estar das pessoas que lá vivem.

“A COP 30 estar sendo realizada num centro urbano da Amazônia, conecta este simbolismo de como podemos enxergar que a maior floresta tropical do mundo possui 80% da sua população vivendo em centros urbanos e o mundo precisa conhecer essa realidade. Sem conhecermos essa realidade continuaremos a ter pressão na floresta”

Belém como sede da COP 30

            O governador diz que o maior centro urbano da Amazônia, que é Belém, vive hoje uma realidade diferente desde que foi anunciada como sede da COP 30, com transporte coletivo de baixas emissões, ampliação de tratamento de esgoto sanitário e de rearborização de várias áreas da cidade. É importante todos saberem que os impactos das mudanças climáticas atingem principalmente àqueles que não dão causa para a elevação da temperatura, como as comunidades periféricas. Não teremos Justiça Climática sem Justiça Social, que passa por cidades resilientes que estejam adaptadas e preparadas”, alerta.

Luiz Flávio

Paraense, natural de Belém (PA), graduado em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Pará (UFPA) desde 1997. Repórter Especial do jornal Diário do Pará, onde atua desde 1995 na cobertura das editorias de Política, Economia e Cidades. Possui desde 2013 a coluna “Justiça em Fatos”, especializada em notícias jurídicas locais e nacionais, publicada no jornal aos domingos.

Paraense, natural de Belém (PA), graduado em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Pará (UFPA) desde 1997. Repórter Especial do jornal Diário do Pará, onde atua desde 1995 na cobertura das editorias de Política, Economia e Cidades. Possui desde 2013 a coluna “Justiça em Fatos”, especializada em notícias jurídicas locais e nacionais, publicada no jornal aos domingos.