O Ministério Público da Bahia decidiu levar à Justiça um caso que ultrapassa o universo da música e toca em um debate sensível da sociedade brasileira: o respeito às religiões de matriz africana.
O Ministério Público da Bahia decidiu levar à Justiça um caso que ultrapassa o universo da música e toca em um debate sensível da sociedade brasileira: o respeito às religiões de matriz africana.

O Ministério Público da Bahia decidiu levar à Justiça um caso que ultrapassa o universo da música e toca em um debate sensível da sociedade brasileira: o respeito às religiões de matriz africana. O órgão ingressou com uma ação civil pública contra a cantora Claudia Leitte, pedindo o pagamento de R$ 2 milhões por dano moral coletivo, após a artista alterar um verso da canção “Caranguejo” em apresentações recentes. Na avaliação do MP-BA, a mudança teria suprimido uma referência simbólica a Iemanjá, o que pode caracterizar discriminação religiosa.

Segundo o Ministério Público, a troca do trecho “saudando a rainha Iemanjá” por “eu canto meu rei Yeshua” extrapola uma simples adaptação artística. No entendimento da promotoria, o gesto carrega um peso simbólico relevante em um país onde manifestações culturais e religiosas afro-brasileiras ainda enfrentam preconceito estrutural. “A exclusão ou substituição dessas referências contribui para a desvalorização histórica dessas tradições”, sustenta o MP no processo, que solicita que o valor da indenização seja destinado a fundos públicos ou entidades ligadas à defesa das religiões de matriz africana.

A ação também pede que a cantora faça retratação pública e se comprometa a não repetir condutas semelhantes em shows, entrevistas ou conteúdos divulgados nas redes sociais. Para o MP-BA, o objetivo não é apenas financeiro, mas pedagógico. “A liberdade de expressão artística deve caminhar lado a lado com a responsabilidade social”, argumenta a promotora Lívia Vaz, uma das signatárias do processo. A representação que deu origem à ação foi apresentada por lideranças religiosas e por instituições de defesa dos direitos afro-religiosos, que veem no caso um marco importante na discussão sobre intolerância religiosa no ambiente cultural.

Editado por Débora Costa

Matheus de Oliveira

Jornalista. MBA em Comunicação Empresarial, Marketing e Esportivo. Pós-graduado em Gestão do Esporte e Mídias Digitais. Apaixonado por contar histórias e conectar pessoas através do esporte. | @mathmiroli

Jornalista. MBA em Comunicação Empresarial, Marketing e Esportivo. Pós-graduado em Gestão do Esporte e Mídias Digitais. Apaixonado por contar histórias e conectar pessoas através do esporte. | @mathmiroli