
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu o julgamento em plenário que analisava a possibilidade de o piso salarial nacional do magistério servir como referência para o vencimento inicial e demais níveis da carreira dos professores estaduais, pedindo vista dos autos e interrompendo a discussão que estava em curso na Corte.
Até o momento da interrupção, apenas o relator do caso, ministro Cristiano Zanin, havia votado, propondo afastar a aplicação de reajustes estabelecidos pelo Judiciário na tabela remuneratória do magistério sob o argumento de que impor percentuais de correção por meio de decisões judiciais violaria a Constituição e a Súmula Vinculante 37, que restringe interferências judiciais diretas em políticas públicas.
O processo decorre de uma ação ajuizada por uma professora contra a Fazenda Pública do Estado de São Paulo, na qual um colegiado regional reconheceu que o piso nacional, previsto na Lei 11.738/2008, deveria influenciar na recomposição do vencimento básico inicial e em vantagens posteriores da carreira docente, com repercussão em todo o plano salarial.
O Estado paulista recorreu ao STF argumentando que a remuneração dos servidores estaduais deve ser definida por lei local e que a vinculação automática do piso nacional às estruturas salariais estaduais afrontaria a autonomia federativa.
O voto do relator também destacou que, embora o Judiciário não possa substituir o Legislativo na fixação de percentuais de reajuste, os entes federativos têm o dever de organizar e manter planos de carreira que observem o piso salarial nacional, incluindo adequações necessárias ao cumprimento da lei, sob pena de omissão administrativa.
Ele propôs um prazo de até 24 meses para que estados, municípios e o Distrito Federal elaborem ou adaptem seus planos de carreira e remuneração do magistério de acordo com os parâmetros legais.
Impacto da decisão no piso dos professores
A interrupção do julgamento adia a definição de uma tese com repercussão geral, que, se consolidada, terá efeito vinculante para toda a administração pública e poderá orientar a forma como os pisos salariais dos professores são aplicados nos planos de carreira em todo o país, questão de grande impacto para a valorização e estrutura remuneratória da educação básica no Brasil.