Imagem ilustrativa. Foto: Reprodução / Unsplash - Iva S
Imagem ilustrativa. Foto: Reprodução / Unsplash - Iva S

A morte de um jovem paraense acendeu um alerta sobre a circulação da raiva humana na Amazônia. Matheus Santa Rosa dos Santos, de 24 anos, natural de São Caetano de Odivelas, não resistiu após ser infectado pelo vírus durante uma pescaria na região de Oiapoque, no Amapá. Ele estava internado havia duas semanas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Universitário Barros Barreto, em Belém, referência no tratamento de doenças infecciosas. 

Este é o terceiro caso registrado no país em 2025, segundo o Ministério da Saúde. A morte foi confirmada na quinta-feira (4) pela Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa).

Como aconteceu

Matheus foi atacado por um macaco enquanto pescava em uma área de manguezal. Dias depois, passou a apresentar sintomas neurológicos compatíveis com encefalite viral. O agravamento do quadro exigiu a transferência urgente para Belém. 

Infecção foi confirmada através de exames

Exames realizados pelo Instituto Pasteur, em São Paulo, confirmaram a infecção por meio de RT-PCR em amostras de saliva e de tecido coletado por biópsia. Segundo a Superintendência de Vigilância em Saúde do Amapá, o material analisado indica que a variante encontrada está associada a morcegos, reconhecidos como importantes reservatórios naturais do vírus. 

Equipes de vigilância epidemiológica e órgãos ambientais atuam na região para investigar o caso e avaliar possíveis riscos de transmissão.

A Polícia Científica do Pará realizou a necropsia no Serviço de Verificação de Óbito em Belém. A Sespa destacou que, entre 2023 e 2025, não há registros de casos ou mortes por raiva humana no Pará.

Primeiro caso na Amazônia em 2025, diz MS

O Ministério da Saúde informou que este é o primeiro registro de raiva humana na Amazônia em 2025. Os outros dois casos, ocorridos no Ceará e em Pernambuco, envolveram contato com saguis que carregavam variantes silvestres do vírus, o AgV3 ou C.Jaccus.

São mantidos estoques de soro e vacina antirrábica para atendimento pós-exposição, além do monitoramento contínuo da circulação de variantes no país. Entre 2010 e 2024, o Brasil confirmou 48 casos de raiva humana, metade deles ligados a morcegos.

Como a ‘raiva humana’ é transmitida e sintomas

A raiva é uma infecção viral grave, transmitida pela saliva de mamíferos infectados, como morcegos, macacos, cães e gatos, por meio de mordidas, arranhões ou contato com secreções contaminadas. Os primeiros sintomas costumam aparecer entre dois e dez dias e vão desde febre e dor de cabeça até alterações de comportamento e espasmos musculares. É considerada quase sempre fatal quando não tratada imediatamente após a exposição.

Editado por Débora Costa