
São Paulo será sede do primeiro supermercado cooperativo e participativo do Brasil, a Gomo Coop, inaugurado na primeira quinzena de janeiro no centro da capital paulista e inspirado em modelos internacionais de mercados onde quem cooperar trabalhando no próprio espaço também se torna dono e tem direito a comprar com descontos, um formato que vem ganhando atenção nas redes sociais e no debate sobre consumo sustentável e economia solidária.
No modelo adotado pela Gomo Coop, os cooperados — consumidores que se associam à cooperativa — devem cumprir cerca de três horas de trabalho por mês em atividades como reposição de produtos, atendimento de caixa, organização de estoque e limpeza, em troca do direito de comprar produtos com preços reduzidos, especialmente itens de hortifruti agroecológico, agricultura familiar e outros alimentos sustentáveis, além de participarem coletivamente das decisões da cooperativa, aproximando assim a operação do supermercado do conceito de autogestão e reduzindo custos operacionais.
Ideia inspirada em cooperativa americana
A ideia, inspirada principalmente na Park Slope Food Coop, cooperativa de Nova York que existe há 50 anos sob o lema “só compra quem trabalha”, e em experiências semelhantes na Europa, como a La Louve em Paris, busca fortalecer laços comunitários e oferecer alternativas ao varejo tradicional, com foco na redução de preços por meio da participação ativa dos membros na rotina do mercado.
Durante os primeiros seis meses de funcionamento, a Gomo Coop pretende abrir suas portas também ao público não cooperado em horários e condições específicas, permitindo que mais pessoas conheçam o funcionamento da cooperativa antes de optar pela adesão, estratégia que pode ampliar a base de participantes e divulgar o modelo inovador de consumo colaborativo.
A proposta vem repercutindo em redes sociais, onde usuários destacam a ausência de patrão, o envolvimento direto dos consumidores na operação e a possibilidade de reduzir os gastos com compras do mês — um desafio relevante no contexto de alta nos preços dos alimentos e na busca por alternativas econômicas e sustentáveis no varejo alimentício.