
Um relatório inédito produzido pela Systemiq, em parceria com mais de 20 organizações internacionais, revela que investir em adaptação climática pode transformar profundamente a economia global, com potencial para criar mais de 280 milhões de empregos em países emergentes e em desenvolvimento até 2035. O estudo, lançado durante as Reuniões Anuais do Banco Mundial e divulgado às vésperas da COP30, consolida as evidências mais robustas já reunidas sobre os ganhos econômicos da resiliência ambiental.
Intitulado “Retornos da Resiliência: Investindo em Adaptação para Impulsionar Prosperidade, Crescimento e Competitividade”, o relatório demonstra que a adaptação não é apenas uma resposta à crise climática, mas um investimento estratégico capaz de elevar o PIB, gerar empregos e abrir novas frentes de mercado — estimadas em US$ 1,3 trilhão por ano até 2030.
Segundo o estudo, cada dólar aplicado em resiliência retorna quatro vezes mais benefícios, com taxa média de retorno anual de 25%.
Um cenário global pressionado pelos impactos climáticos
Os dados apresentados mostram que a instabilidade climática já compromete o desenvolvimento econômico no mundo: 20 milhões de pessoas são deslocadas anualmente por eventos extremos; os países menos desenvolvidos estão 10% mais pobres devido às mudanças climáticas; e economias vulneráveis perderam US$ 525 bilhões nas duas últimas décadas;
Sem ação urgente, o PIB global pode encolher até 23% até 2050.
Mesmo diante desse cenário, o capital ainda flui de forma desequilibrada: para cada dólar investido em infraestrutura resiliente, outros US$ 87 vão para ativos que ignoram riscos climáticos, aprofundando vulnerabilidades.
Investimentos em Adaptação e seus Benefícios
O estudo indica que ampliar investimentos em adaptação pode: criar 280 milhões de empregos até 2035; aumentar o PIB de economias frágeis em até 15% até 2050; reduzir riscos fiscais e de endividamento; e impulsionar o crescimento sustentável e a competitividade internacional.
Para a Systemiq, trata-se da agenda de investimento mais estratégica do nosso tempo, com impactos diretos na prosperidade global e na estabilidade ambiental.
COP30 como ponto de virada
Com a presidência brasileira da COP30 priorizando adaptação e resiliência, o relatório vê a conferência como momento decisivo para abandonar a postura reativa frente a desastres e adotar ações estruturantes de longo prazo. A orientação é clara: governos, empresas e investidores precisam redirecionar capital para soluções resilientes, garantindo segurança, desenvolvimento e estabilidade planetária.
Editado por Débora Costa