Estudo revela gargalos e oportunidades da bioeconomia amazônica

Durante a COP30, no estande do Banco da Amazônia, foi lançado o estudo “Ecossistema de Financiamento da Bioeconomia na Amazônia Legal: Diagnóstico, Experiências e Recomendações para Ações Integradas”, uma iniciativa conjunta da rede Uma Concertação pela Amazônia, da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE) e da Frankfurt School of Finance and Management, com apoio da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD)

O trabalho, inédito na região, mapeia 159 mecanismos de financiamento voltados à bioeconomia amazônica e identifica lacunas, desafios e oportunidades para ampliar o acesso a crédito, investimento e capital de risco — especialmente nas cadeias produtivas ligadas à floresta e às comunidades tradicionais.

Três vertentes da bioeconomia amazônica

O estudo diferencia três dimensões da bioeconomia na região:

• Agrobioeconomia: atividades intensivas e em escala, voltadas à produção de commodities como soja, milho, carne e celulose;

• Bioeconomia florestal: manejo sustentável e uso racional dos recursos naturais, com foco em áreas preservadas ou de transição;

• Sociobioeconomia: valorização dos saberes tradicionais, produtos da floresta e geração de renda para povos e comunidades amazônicas

Mecanismos de Financiamento e Acesso ao Crédito

A pesquisadora Débora Masulo, que apresentou o estudo, destacou que o levantamento também teve como objetivo compreender como agricultores familiares e comunidades tradicionais têm produzido dentro desse conceito, identificando os mecanismos de financiamento que chegam a esse público.

Do total de 159 mecanismos analisados, apenas 23% são dedicados exclusivamente à bioeconomia, enquanto 77% têm caráter multissetorial. Quando o foco se volta à sociobioeconomia, 28% dos instrumentos atingem comunidades locais, e 13% destinam-se exclusivamente a atividades de base comunitária.

Os bancos públicos ainda lideram o volume de financiamentos da bioeconomia, com 26% de participação, seguidos por fundos filantrópicos nacionais e internacionais (22%) e gestores de capital de risco (17%). Já no segmento da sociobioeconomia, a filantropia nacional (46%) e as parcerias híbridas (40%) aparecem à frente de bancos públicos e agências de fomento, que respondem por 33%

Segundo o presidente do Banco da Amazônia, Luiz Lessa, iniciativas como o Pronaf Alimentos, que integra cadeias produtivas familiares à indústria, demonstram como o crédito pode gerar estabilidade de renda e melhorar a qualidade de vida: “Criamos mecanismos que conectam a produção local às indústrias, garantindo mercado e renda. Isso muda a vida das pessoas”, afirmou.

Desafios e perspectivas para expansão da Bioeconomia

Apesar do avanço, o estudo aponta entraves que limitam o alcance dos financiamentos, especialmente para pequenos empreendedores e comunidades:

•Dependência de recursos filantrópicos, muitas vezes instáveis;

• Dificuldades de acesso a crédito público e privado devido à informalidade e baixo letramento financeiro;

• Startups têm mais facilidade de captação por atenderem a modelos tradicionais;

•Redução do apoio internacional e restrições fiscais nacionais;

•Fragmentação entre instrumentos e fontes de recursos;

• Barreiras fundiárias, regulatórias e de capacitação que travam o crescimento da sociobioeconomia

Oportunidades de investimento na Amazônia e economia verde

O estudo reforça que a urgência climática e a transição para uma economia verde abriram novas oportunidades de investimento na Amazônia, mas exigem coordenação institucional e estratégias integradas entre bancos, governos e investidores privados.

A pesquisa será base para propostas de políticas públicas e instrumentos financeiros adaptados à realidade amazônica — com o objetivo de ampliar o crédito, fortalecer a inclusão produtiva e valorizar a floresta em pé como ativo econômico.

Luiz Flávio

Paraense, natural de Belém (PA), graduado em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Pará (UFPA) desde 1997. Repórter Especial do jornal Diário do Pará, onde atua desde 1995 na cobertura das editorias de Política, Economia e Cidades. Possui desde 2013 a coluna “Justiça em Fatos”, especializada em notícias jurídicas locais e nacionais, publicada no jornal aos domingos.

Paraense, natural de Belém (PA), graduado em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Pará (UFPA) desde 1997. Repórter Especial do jornal Diário do Pará, onde atua desde 1995 na cobertura das editorias de Política, Economia e Cidades. Possui desde 2013 a coluna “Justiça em Fatos”, especializada em notícias jurídicas locais e nacionais, publicada no jornal aos domingos.