Arte ilustra o drama de mulheres brasileiras exploradas sexualmente na Espanha, resgatadas após investigação internacional. Foto: divulgação
Arte ilustra o drama de mulheres brasileiras exploradas sexualmente na Espanha, resgatadas após investigação internacional. Foto: divulgação

A Operação Alícia, deflagrada pela Polícia Federal no Brasil em 10 de dezembro, quarta-feira, expôs a brutal rotina de exploração vivida por 28 brasileiras mantidas como escravas sexuais na Espanha. As vítimas haviam sido resgatadas meses antes, em junho deste ano, pela Polícia Nacional espanhola, durante ação em Álava.

Segundo as investigações conjuntas, as mulheres eram obrigadas a atender até 15 homens por dia e viviam sob vigilância constante, violência psicológica e ameaças que envolviam familiares no Brasil.

Todas foram aliciadas em casas noturnas brasileiras, onde integrantes da quadrilha prometiam melhores ganhos e clientes estrangeiros. Ao chegarem à Espanha, porém, tinham os passaportes retidos, as passagens de retorno canceladas e eram submetidas a condições degradantes de trabalho.

A organização criminosa transferia as vítimas regularmente entre cidades para despistar autoridades, mantendo-as em imóveis alugados, sempre sob custódia direta de membros do grupo.

O dinheiro obtido nos programas não ficava com elas: era integralmente entregue à quadrilha, que ainda impunha uma suposta dívida de hospedagem, tornando qualquer tentativa de quitação impossível.

Impacto financeiro e prisões

A PF estima que o esquema tenha rendido cerca de R$ 40 milhões aos criminosos, valor já bloqueado judicialmente. As prisões realizadas no Brasil — em São Paulo, Ubatuba, Jundiaí e Rio das Ostras — ocorreram após o resgate de junho e a identificação dos aliciadores que atuavam no país. As investigações seguem para ampliar o rastreamento financeiro e identificar eventuais novos envolvidos.

Editado por Luiz Octávio Lucas

Carol Menezes

Repórter

Graduada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade da Amazônia (Unama) desde 2007. É natural de Belém (PA) e repórter do jornal Diário do Pará desde 2013. Atua em cobertura nas editorias de Cidades, Política, Economia e Cultura. Desde 2020 também redige a coluna Linha Direta, seguinte ao Repórter Diário, de terça a domingo. Prêmio Fiepa 2016 de Melhor Repórter de Jornalismo Impresso.

Graduada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade da Amazônia (Unama) desde 2007. É natural de Belém (PA) e repórter do jornal Diário do Pará desde 2013. Atua em cobertura nas editorias de Cidades, Política, Economia e Cultura. Desde 2020 também redige a coluna Linha Direta, seguinte ao Repórter Diário, de terça a domingo. Prêmio Fiepa 2016 de Melhor Repórter de Jornalismo Impresso.