Einstein lança na COP30 plataforma pioneira que interliga clima e saúde

O Hospital Israelita Albert Einstein apresentou, durante a COP30 em Belém, a MAIS – Meio Ambiente e Impacto na Saúde, uma plataforma inédita que cruza dados climáticos, ambientais, de saúde e indicadores socioeconômicos de mais de 5.500 municípios brasileiros. A iniciativa, lançada como prova de conceito, ambiciona se tornar uma das ferramentas mais completas do país para compreender e antecipar os efeitos da crise climática sobre a saúde da população.

Reunindo mais de 40 bases públicas — entre elas SUS, IBGE, INMET e ANA — a plataforma concentra mais de 100 milhões de registros de 2022 a 2024, permitindo análises por estado, município, bioma, grupos etários e causas de internação. O objetivo é que gestores consigam visualizar de forma imediata correlações entre clima e saúde, como picos de doenças respiratórias durante episódios de poluição ou o aumento de internações cardiovasculares em ondas de calor.

A proposta se baseia em estudos científicos revisados por pares. Um deles, publicado em Sustentabilidade em Debate, projeta que, num cenário de altas emissões (RCP8.5), até 40% das mortes por doenças respiratórias em Belém poderão ocorrer por estresse térmico.

Outro estudo, em Journal of Exposure Science and Environmental Epidemiology, aponta que a elevação de monóxido de carbono em São Paulo está associada a 4% mais mortes respiratórias e 2% mais mortes cardiovasculares, sobretudo entre grupos vulneráveis.

“Transformar dados em ação”, diz presidente do Einstein

Para Sidney Klajner, presidente do Einstein e porta-voz do ODS 3 (Saúde e Bem-Estar) da ONU no Brasil, a plataforma responde a uma lacuna histórica. “Os dados existem, mas estão dispersos. Ao conectá-los, criamos uma visão integrada que ajuda gestores a antecipar riscos, planejar respostas e fortalecer políticas públicas.”

Ele destaca que a iniciativa une ciência, tecnologia e inovação para ampliar a capacidade do sistema de saúde diante dos impactos climáticos — reconhecidos pela OMS como um dos maiores desafios do século.

Potencial para apoiar políticas públicas

Ao sediar a COP30, o Brasil assume o papel de fortalecer a vigilância ambiental e incorporar variáveis climáticas ao planejamento em saúde. A plataforma MAIS surge como uma resposta concreta a esse desafio, oferecendo visualização territorializada de riscos, identificação de lacunas e apoio à tomada de decisão em nível federal, estadual e municipal.

O Einstein informa que as próximas etapas preveem a inclusão de dados em tempo real, mais bases ambientais e novos recursos analíticos, transformando a ferramenta em um sistema de apoio completo à gestão em saúde e meio ambiente.

Editado por Luiz Octávio Lucas

Luiz Flávio

Paraense, natural de Belém (PA), graduado em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Pará (UFPA) desde 1997. Repórter Especial do jornal Diário do Pará, onde atua desde 1995 na cobertura das editorias de Política, Economia e Cidades. Possui desde 2013 a coluna “Justiça em Fatos”, especializada em notícias jurídicas locais e nacionais, publicada no jornal aos domingos.

Paraense, natural de Belém (PA), graduado em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Pará (UFPA) desde 1997. Repórter Especial do jornal Diário do Pará, onde atua desde 1995 na cobertura das editorias de Política, Economia e Cidades. Possui desde 2013 a coluna “Justiça em Fatos”, especializada em notícias jurídicas locais e nacionais, publicada no jornal aos domingos.