
A manhã desta terça-feira, 18 de novembro, foi marcada pela primeira coletiva de imprensa da presidência da COP30, realizada na Blue Zone, em Belém. Sob o comando da coordenação da Agenda de Ação, a sessão contou com falas de lideranças globais que defenderam a priorização de ações concretas, com foco em oceanos, transição energética e apoio a povos indígenas e comunidades locais.
Bruna Cerqueira, coordenadora-geral da Agenda de Ação da presidência da COP30, abriu a coletiva destacando o caráter transformador da cúpula deste ano, que está sendo chamada de “COP da Implementação”.
Segundo ela, o encontro já mobilizou compromissos no valor de US$ 1,7 bilhão especificamente para povos indígenas e comunidades tradicionais, além de novos aportes de US$ 1,2 bilhão, somando um total histórico apenas nesta frente de justiça climática.
“A mensagem é clara: não há bala de prata para a crise climática. Precisamos trabalhar de forma integrada, combinando abordagens diversas, destravando financiamento e entregando soluções reais para quem mais precisa”, afirmou Bruna.
Blue Package e a Agenda Climática Global
O destaque da coletiva também foi a apresentação do Blue Package, um roteiro estratégico de ações para o oceano desenvolvido pela COP30 em colaboração com o Ministério do Clima do Brasil e atores não-estatais. A enviada especial Marinez Scherer detalhou a iniciativa, que reúne mais de 70 soluções, 27 metas práticas e uma estimativa de necessidade de investimentos que chega a US$ 107 bilhões.
“O oceano está no coração da agenda climática global, não é periférico. Ele regula o clima do planeta e deve ser tratado como tal.
O Blue Package estabelece uma base sólida para atrair investimentos privados, fortalecer a adaptação costeira, segurança alimentar e energia renovável marinha. Estamos colocando em prática o que a ciência já sinaliza há anos”, destacou Marinez.
Lançamento do Ocean Breakthroughs Dashboard
A sessão ainda celebrou o lançamento do Ocean Breakthroughs Dashboard, uma plataforma internacional para monitoramento de metas oceânicas até 2030.
“O dashboard representa um novo pacto social para a ação oceânica. Ele trará transparência e permitirá que governos, sociedade civil, filantropia e setor privado acompanhem o progresso em tempo real”, completou Marinez.
Transição Energética e o Futuro Sustentável
Encerrando a coletiva, Nigel Topping, Campeão Climático da COP26, reforçou a urgência da transição energética e a importância do otimismo prático no enfrentamento da crise.
“A energia renovável é o motor da mudança. Seguimos comprometidos em fortalecer essa agenda com base na ação real e colaborativa. São iniciativas como essa que nos permitem avançar, de forma concreta, rumo ao futuro que precisamos construir”, declarou.