
Um cometa vindo de fora do Sistema Solar chamou a atenção da comunidade científica após emitir um intenso jato de gás e poeira em direção ao Sol. Um comportamento que, à primeira vista, parece fora do comum, mas que astrônomos garantem ser uma reação natural à aproximação da estrela. O fenômeno foi registrado em novas imagens do cometa 3I/ATLAS.
Detectado no fim de junho e confirmado pela NASA em julho, o 3I/ATLAS é o terceiro objeto interestelar já identificado atravessando o Sistema Solar. Ele se destaca por seu tamanho e antiguidade: estima-se que o núcleo tenha entre 5 e 11 quilômetros de largura, formado possivelmente antes mesmo do nascimento do Sol.
O cometa vem de um sistema estelar distante e desconhecido, e viaja a uma velocidade tão alta que jamais será capturado pela gravidade solar — está apenas “de passagem” pelo nosso canto do universo.
E as teorias começaram…
Apesar da explicação científica, o cometa despertou teorias curiosas. Alguns pesquisadores chegaram a sugerir que o objeto poderia ser uma nave alienígena enviada para observar a Terra. A hipótese, contudo, não tem respaldo da comunidade científica, que reforça que o 3I/ATLAS apresenta todas as características de um cometa comum, embora extremamente veloz.
Novas Imagens do Cometa 3I/ATLAS
As novas imagens, captadas por telescópios nas Ilhas Canárias, na Espanha, feitas em 2 de agosto pelo Telescópio Gêmeo de Dois Metros (TTT), do Observatório de Teide, reforçam essa interpretação.
O fenômeno
Foram 159 exposições de 50 segundos cada, resultando em uma composição que mostra o núcleo gelado do cometa como um ponto escuro envolto por um brilho branco intenso. Uma ruptura em formato de leque nesse brilho indica o local de onde, segundo os pesquisadores, e conforme repercutido pela revista Live Science, fenômeno em roxo. O registro foi publicado em 15 de outubro pelo site especializado The Astronomer’s Telegram.
O Comportamento do Cometa
Segundo o astrofísico Miquel Serra-Ricart, diretor científico da instituição Pontes de Luz, do Observatório de Teide, o comportamento do cometa está longe de ser anormal. Apesar de parecer estranho, o comportamento de um “canhão” de poeira voltado para nossa estrela é apenas um padrão comum na anatomia de um cometa.
Os cometas são famosos por suas caudas brilhantes de gás ionizado, que podem se estender por centenas de milhões de quilômetros na direção oposta ao Sol. Já os jatos são bem menores em comparação e diferentemente das caudas, que podem apontar em direção ao Sol.
Direção do Sol e Cauda do Cometa
“Isso é o de sempre”, diz Miquel, que publicou as novas imagens à Live Science. Os jatos estão apontando para a direção do Sol, e a cauda do cometa, para a direção anti-solar.
Isso acontece porque, à medida que o cometa se aproxima do Sol, sua superfície começa a esquentar, especialmente o lado que fica voltado para a estrela. Em alguns pontos mais frágeis, o aumento da temperatura faz com que o gás preso sob o gelo seja liberado de forma repentina, criando uma espécie de “erupção” que arremessa poeira e fragmentos a grandes distâncias na direção solar.