Familiares e amigos rezaram missa em memória de Marcello de Araújo no local de sua morte
Familiares e amigos rezaram missa em memória de Marcello de Araújo no local de sua morte

Ontem completaram 2 meses da morte de Marcello Victor Carvalho de Araújo, que perdeu a vida no último dia 8/10 durante uma Operação da Polícia Federal na sua residência, no bairro do Jurunas, em Belém.

A família de Marcello realizou mais uma manifestação para relembrar a morte do rapaz e manifestar preocupação com a condução das investigações sobre o caso. “Até o momento, os laudos periciais não foram concluídos e o inquérito permanece sob sigilo, sem justificativa apresentada aos familiares”, diz a promotora Ana Maria Magalhães, tia do jovem.

Segundo ela a manutenção desse sigilo tem impedido que a família — e a sociedade — compreenda as circunstâncias que levaram à morte de um jovem inocente dentro do próprio prédio onde residia. “É dever do Estado garantir transparência, especialmente quando se trata de ações de agentes públicos que resultaram na perda de uma vida. Por que negar à sociedade o conhecimento de fatos tão graves?”, questiona.

Ontem, quando ao completarem dois meses da morte de Marcello, familiares e amigos realizaram uma missa no local onde ele foi morto, marcada por emoção, cobranças por justiça. Muitos familiares e amigos manifestaram preocupação de que a demora na emissão dos laudos possa comprometer o esclarecimento dos fatos.

Mãe do jovem morto vai reunir com procurador da República no MPF

A mãe de Marcello conseguiu agendar uma reunião com o procurador da República Sadi Machado Flores, responsável pelo caso no Ministério Público Federal. A atuação do MPF tem representado a principal esperança da família. “O procurador responsável pelo caso atua na defesa de direitos humanos e com o controle externo da atividade policial. É onde nós, familiares, temos encontrado acolhimento, atenção e compromisso com a verdade”, ressalta Ana Maria.

Em manifesto público, a família de Marcello Victor reafirma sua confiança nas instituições e pede que as autoridades responsáveis adotem todas as medidas necessárias para que: os laudos sejam concluídos com urgência, o sigilo do inquérito seja suspenso, e a população tenha acesso às informações sobre a atuação dos agentes envolvidos. “Justiça e transparência não são favores: são pilares de uma sociedade democrática e o mínimo que se deve a quem perdeu um filho, um amigo, um irmão”, diz a promotora.

Relembre o caso, que repercutiu local e nacionalmente

Na operação os agentes da PF entraram no apartamento da escrivã da Polícia Civil Ana Suellen Carvalho de Araújo, mãe de Marcello, para cumprir um mandado de prisão contra Marcelo Pantoja Rabelo, o “Marcelo da Sucata”, que tinha um relacionamento com Ana, no âmbito da Operação Eclesiastes.

Segundo a PF, Rabelo é suspeito de liderar uma organização criminosa voltada ao tráfico internacional de drogas e à lavagem de capitais, com atuação em grupo de extermínio. A escrivã e o filho não eram alvos da ação.

De acordo com a versão da PF, Marcello se deparou com a equipe tática em um dos corredores do imóvel e teria avançado contra um agente, desferindo-lhe um golpe e tentado alcançar sua arma de fogo, e que, por isso, “houve reação imediata, com uso proporcional da força, fato que infelizmente ocasionou na morte”, segundo nota da corporação.

Vítima estava desarmada, diz a família

A família contesta completamente essa versão, alegando que a vítima não estava armada e não era agressivo, não representando qualquer ameaça aos nove agentes que realizaram a operação, fortemente armados, com coletes e escudos. Segundo Ana Suellen, os policiais federais teriam entrado no apartamento, perguntado o nome do seu filho. Assim que Marcello respondeu os policiais o teriam alvejado com dois tiros, morrendo no local.

A mãe de Marcello informou que mantinha um relacionamento “esporádico” com Rabelo e que nem ela nem o filho tinham envolvimento com suas supostas atividades. Para ela, os policiais podem ter confundido os dois, já que ambos se chamam Marcelo.

Editado por Luiz Octávio Lucas

Luiz Flávio

Paraense, natural de Belém (PA), graduado em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Pará (UFPA) desde 1997. Repórter Especial do jornal Diário do Pará, onde atua desde 1995 na cobertura das editorias de Política, Economia e Cidades. Possui desde 2013 a coluna “Justiça em Fatos”, especializada em notícias jurídicas locais e nacionais, publicada no jornal aos domingos.

Paraense, natural de Belém (PA), graduado em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Pará (UFPA) desde 1997. Repórter Especial do jornal Diário do Pará, onde atua desde 1995 na cobertura das editorias de Política, Economia e Cidades. Possui desde 2013 a coluna “Justiça em Fatos”, especializada em notícias jurídicas locais e nacionais, publicada no jornal aos domingos.