Foto: Mauro Ângelo/ Diário do Pará.
Foto: Mauro Ângelo/ Diário do Pará.

O Brasil deu mais um passo importante na preparação das cidades para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas. Durante evento da COP30, realizado nesta segunda, o Ministério das Cidades anunciou a lista de 69 municípios que irão receber apoio técnico do Projeto AdaptAÇÃO, iniciativa que deve beneficiar quase 23 milhões de pessoas em todas as regiões do país.

Entre os selecionados no estado do Pará, estão: Belém, Ananindeua, Marabá, Barcarena, Abaetetuba e Augusto Corrêa incluídas na lista — um reconhecimento à urgência de ações estratégicas para o território amazônico.

O cenário climático brasileiro é diverso, mas marcado por vulnerabilidades semelhantes. Em Maricá (RJ), as chuvas intensas se repetem com insistência, impondo riscos crescentes à população. Em Catalão (GO), o desafio é conciliar expansão urbana e parâmetros ambientais antes que o crescimento desordenado comprometa de vez a qualidade de vida.

No litoral nordestino, Penedo (AL) enfrenta um combo nada agradável: calor extremo, chuvas fortes, estiagens prolongadas e o preocupante rebaixamento do nível do Rio São Francisco, elemento vital para a região. No Sul, Pelotas (RS) convive historicamente com alagamentos provocados pela dinâmica das lagoas e pelo escoamento natural de seus arroios, um problema antigo que hoje ganha contornos ainda mais desafiadores.

Na Amazônia, a situação não é diferente. Nos municípios paraenses o maior problema é a urbanização desordenada sobre áreas frágeis que contribui para intensificar ondas de calor, alagamentos e pressões sobre os recursos hídricos — um retrato que se repete em diversos municípios amazônicos, onde o avanço urbano muitas vezes ignora limites naturais que nossos antepassados conheciam de memória.

Foco na Adaptação Climática

O Projeto AdaptAÇÃO pretende justamente ajudar cidades como essas a revisar e aprimorar instrumentos de política urbana com foco na adaptação climática. A iniciativa reunirá professores, pesquisadores e estudantes, que vão trabalhar ao lado das prefeituras revisando temas como regularização fundiária, estudo de impacto de vizinhança e zoneamento urbano.

Também foi lançada uma cartilha direcionada a estados e municípios, detalhando como os riscos climáticos afetam o cotidiano das cidades — da gestão da água ao planejamento do uso do solo.

De acordo com Yuri Della Giustina, diretor do Departamento de Adaptação das Cidades à Transição Climática e Transformação Digital, o projeto reúne 20 polos universitários ligados ao Observatório das Metrópoles, configurando uma parceria inovadora dentro do Ministério das Cidades. “O objetivo é inserir a lente climática nos instrumentos de planejamento urbano”, explicou.

A diretora de sustentabilidade do Ministério, Alice Vasconcelos, reforçou que o programa devolve ao planejamento urbano o papel central nas decisões sobre a vida nas cidades. “As realidades são diferentes em cada região, e a forma como planejamos as cidades afeta diretamente o cotidiano das pessoas”, afirmou.

A seleção dos municípios passou por critérios rigorosos. Foram avaliadas a qualidade das propostas apresentadas, a existência de algum tipo de planejamento urbano, a presença de uma secretaria estruturada voltada ao desenvolvimento urbano, o equilíbrio regional e aspectos de justiça climática — em outras palavras, um esforço para garantir que o apoio chegue a diferentes contextos e necessidades, respeitando a diversidade territorial do país.

O Ministério das Cidades anunciou ainda que uma segunda etapa de seleção será aberta no início do próximo ano, contemplando mais 80 municípios. Com isso, o governo pretende ampliar o alcance do programa e consolidar uma rede de cidades mais preparadas para os desafios climáticos que, ao contrário das boas tradições, insistem em mudar.

Ao todo, os 69 municípios inicialmente selecionados representam uma população de quase 23 milhões de pessoas que, nos próximos anos, deverão contar com ações mais robustas, bem planejadas e alinhadas às exigências de um clima em transformação.

Editado por Luiz Octávio Lucas