
Viajar continua sendo um dos principais desejos de quem planeja o ano, mas o crescimento acelerado do turismo em algumas regiões do mundo tem acendido um sinal de alerta. Em destinos onde a infraestrutura não acompanha o fluxo de visitantes, os impactos já são sentidos no cotidiano das comunidades locais, no meio ambiente e até no custo de vida.
É esse cenário que motivou a divulgação da “No List” de 2026, levantamento anual da Fodor’s que aponta lugares onde o excesso de turistas tem gerado conflitos, desgaste ambiental e perda de identidade cultural, exigindo que viajantes antes de fechar o roteiro.
A lista reúne destinos considerados supervisitados, com ecossistemas frágeis ou comunidades sob forte pressão. Em edições anteriores, cidades europeias bastante populares chegaram a aparecer no ranking. Para 2026, a publicação mantém o alerta, mas direciona o foco para outras regiões que passaram a enfrentar problemas semelhantes ao longo de 2025.
Destinos europeus na “No List” de 2026
Apenas um dos locais citados no ano anterior permanece na lista: as Ilhas Canárias.
O arquipélago espanhol, localizado a 100 km da costa do Marrocos, inclui Tenerife, Gran Canaria e Lanzarote, registrou recorde de visitantes no verão de 2025. Somente em agosto, mais de 1,23 milhão de turistas passaram pelas sete ilhas, o maior volume mensal já registrado. No primeiro semestre do ano, cerca de dez milhões de estrangeiros visitaram a região, principalmente do Reino Unido e da Alemanha.
O crescimento intensificou debates sobre impactos ambientais, aumento do custo de vida e pressão sobre serviços públicos. Diante do avanço do turismo em massa, o governo passou a adotar medidas para conter os impactos do fluxo excessivo. Entre elas, está o fim do programa de “golden visa” e a criação de uma taxa para acesso a trilhas no Parque Nacional Teide-Pico Viejo, nas Ilhas Canárias. A cobrança começa a valer em 2026 e deve girar em torno de 25 euros, com valores ajustados conforme o trajeto escolhido.
Outras três áreas europeias passaram a integrar a lista neste ano:
- Isola Sacra, Itália
- Região de Jungfrau, Suíça
- Montmartre, Paris, França
Em Montmartre, moradores relatam a substituição de comércios tradicionais por lojas de souvenirs e cafés voltados quase exclusivamente para turistas, alterando a dinâmica do bairro.
Já Isola Sacra, distrito costeiro próximo a Roma, enfrenta críticas a projetos que preveem a atracação de grandes navios de cruzeiro, o que pode afetar a biodiversidade marinha e agravar a erosão da costa.
Na Suíça, a região de Jungfrau, no Oberland bernês, vive crescimento acelerado no número de visitantes atraídos pelas paisagens alpinas, pressionando geleiras em retração e a rotina das comunidades locais.
Novos destinos incluídos na lista em 2026
A edição mais recente da “Lista do Não” ampliou o olhar para fora da Europa e incluiu quatro novos destinos:
- Antártica
- Parque Nacional Glacier, Estados Unidos
- Cidade do México, México
- Mombaça, Quênia
A Cidade do México registrou protestos contra o overtourism durante o verão de 2025, especialmente em bairros valorizados, onde moradores apontam aumento dos aluguéis e pouca regulação de imóveis de temporada. A Antártica chama atenção pelo crescimento expressivo no número de visitantes na última década, ultrapassando 118 mil turistas na temporada 2024-2025, o que preocupa especialistas devido à fragilidade ambiental do continente. Dos cerca de 150 glaciares do início do século 20, restam 27, que podem desaparecer até 2030.
O Parque Nacional Glacier, no noroeste dos Estados Unidos, enfrenta aquecimento quase duas vezes maior que a média global, com risco real de desaparecimento de suas geleiras nas próximas décadas. Já Mombaça entrou na lista após o Quênia registrar forte alta no turismo internacional, impulsionada principalmente pelo avanço do turismo de cruzeiros, que pressiona a infraestrutura local.
Os 8 destinos de viagem para evitar em 2026:
De acordo com a Fodor’s, a “No List” de 2026 inclui:
- Antártica
- Ilhas Canárias, Espanha
- Parque Nacional Glacier, Estados Unidos
- Isola Sacra, Itália
- Região de Jungfrau, Suíça
- Cidade do México, México
- Mombaça, Quênia
- Montmartre, Paris, França