Jader Barbalho Filho: “O dinheiro, se não chegar na ponta, esquece. Não vai ter infraestrutura”
Cidades são chave para enfrentar crise climática, diz Jader Filho em texto publicado na Time

O ministro das Cidades, Jader Barbalho Filho, afirmou nesta terça, 4, que os municípios brasileiros precisam de mais recursos para enfrentar os impactos das mudanças climáticas. Segundo ele, o problema não é apenas a falta de dinheiro, mas a dificuldade de fazê-lo chegar às cidades — especialmente às menores, que muitas vezes não têm estrutura técnica para elaborar projetos e acessar os fundos disponíveis. “O dinheiro, se não chegar na ponta, esquece. Não vai ter infraestrutura. E a gente vai continuar vendo cenas como as que temos visto repetidamente no mundo”, alertou o ministro, ao participar do painel no Fórum de Líderes Locais da COP30, no Rio de Janeiro.

O ministro citou como exemplos recentes de desastres climáticos no país as enchentes no Rio Grande do Sul e a seca na Amazônia, que afetaram diretamente as populações urbanas. “Quem sente primeiro os eventos climáticos extremos são as cidades, são as nossas periferias. Como fazer infraestrutura se não há dinheiro para isso? Vai cair do céu?”, questionou.

O evento, que reúne mais de 300 prefeitos, autoridades locais e especialistas, é organizado pela presidência da COP30 e pela Bloomberg Philanthropies, fundação de Michael Bloomberg. O objetivo é discutir soluções climáticas e reforçar o papel das cidades na ação global contra a crise do clima.

FALTA ESTRUTURA TÉCNICA

O ministro destacou que o Brasil tem feito investimentos significativos — cerca de US$ 25 bilhões (R$ 135 bilhões) em obras de drenagem, mobilidade e contenção de encostas —, mas reconheceu que os recursos ficam concentrados nos grandes centros urbanos, que possuem equipes técnicas capazes de estruturar projetos robustos. “O problema é que os projetos não chegam prontos. Muitas vezes o dinheiro existe, mas falta estrutura técnica para que as obras saiam do papel”, explicou.

A prefeita de Abaetetuba (PA), Francineti Carvalho, reforçou o argumento ao afirmar que a falta de capacidade técnica é um obstáculo real para municípios da Amazônia. “Há cidades que sequer têm um engenheiro. Os recursos existem, mas não conseguimos acessá-los. É preciso pensar em equidade nas exigências dos editais”, defendeu.

BID e o Financiamento de Projetos Climáticos

O presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Ilan Goldfajn, também participou do debate e defendeu a ampliação da participação do setor privado no financiamento de projetos climáticos. Segundo ele, os recursos públicos e multilaterais são limitados. “Precisamos mobilizar o capital privado. Oferecemos garantias para reduzir os riscos iniciais de investimentos em infraestrutura urbana. É assim que preparamos as cidades para resistirem aos desastres naturais”, afirmou.

Jader Barbalho Filho concluiu que enfrentar a crise climática passa necessariamente pelas cidades, que concentram 82% da população brasileira e são responsáveis por 80% das emissões globais. “É nas cidades que o problema começa — e é nelas que a solução precisa acontecer”, resumiu.