
A nova série Tremembé reacendeu uma velha inquietação: o destino sombrio dos endereços que se tornaram palco dos crimes mais brutais do Brasil. Anos após chocarem o país, apartamentos, casas e mansões ligados a casos como os de Isabella Nardoni, Suzane von Richthofen e Marcos Matsunaga permanecem vazios, rejeitados e envoltos em silêncio — como se carregassem cicatrizes que nenhum morador consegue apagar. Entre tentativas frustradas de venda, curiosos que jamais desapareceram e fachadas que tentam esconder o passado, esses imóveis provam que o crime passa, mas o estigma não sai das paredes.
Na Rua Santa Leocádia, zona norte de São Paulo, o apartamento onde Isabella Nardoni foi jogada do sexto andar, em 29 de março de 2008, ficou cinco anos vazio até que novos proprietários, que preferem não se identificar, assumissem as chaves.
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No Campo Belo, a mansão dos Richthofen, palco do assassinato de Manfred e Marísia em 2002, passou mais de uma década abandonada, com muros pichados e visitas constantes de curiosos. Já o Edifício Roma, na Vila Leopoldina, onde Marcos Matsunaga foi esquartejado por Elize em 2012, ainda mantém a cobertura vazia. O condomínio chegou a retirar o nome da fachada para tentar reduzir o fluxo de curiosos após a série.
Os ecos desse estigma aparecem também em outros casos que marcaram o país. Na Brasilândia, a casa da família Pesseghini virou ponto de observação em 2013 e segue rejeitada por compradores. A residência da Rua Cuba, 109, cenário de um duplo homicídio em 1988, ficou 14 anos sem ninguém até ser vendida. Em Santo André, o apartamento de Eloá Pimentel foi devolvido pela família após o sequestro transmitido ao vivo em 2008. E o sítio ligado ao desaparecimento de Eliza Samudio, em Esmeraldas (MG), acabou vendido por menos da metade do preço por causa do estigma.
Entre negociações travadas, vizinhos que evitam comentar e uma curiosidade sempre renovada por séries e documentários, esses imóveis mostram um padrão: o crime passou, mas o endereço não se recuperou.


