O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e o presidente Lula, durante encontro em Brasília. Foto: Bruno Esaki/Metrópoles
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e o presidente Lula, durante encontro em Brasília. Foto: Bruno Esaki/Metrópoles

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), avaliou nesta sexta-feira que a relação entre o Legislativo e o governo do presidente Lula Inácio Lula da Silva (PT) chega ao fim de 2025 de forma “estabilizada”, após meses marcados por embates políticos e desgaste entre as duas partes. Segundo Motta, a expectativa é de que, em 2026, haja mais diálogo entre o Palácio do Planalto e as lideranças governistas no Congresso Nacional.

Em conversa com jornalistas, na Residência Oficial da Câmara, o parlamentar afirmou que o contato institucional com o presidente Lula foi mantido ao longo do ano, apesar das divergências públicas. De acordo com Motta, o respeito entre os Poderes nunca foi rompido, mesmo nos momentos de maior tensão política. Para ele, o cenário atual aponta para uma retomada do diálogo e para a superação dos conflitos registrados ao longo de 2025.

Ao fazer um balanço do ano, o presidente da Câmara destacou que a relação com o Executivo terminou mais equilibrada, com perspectivas de avanço no entendimento político. Motta ressaltou que as divergências fazem parte do funcionamento democrático e da independência entre os Poderes, mas defendeu que elas devem ser enfrentadas com diálogo e respeito institucional.

Relação entre Legislativo e Governo em 2025

Durante 2025, a relação entre Hugo Motta e integrantes do governo Lula ficou estremecida em diversos episódios. O mais recente envolveu a tramitação do projeto que cria um marco legal de combate ao crime organizado, conhecido como PL Antifacção. Na ocasião, houve atritos entre o presidente da Câmara e a cúpula da articulação política do governo.

Aliados de Motta chegaram a avaliar que houve um movimento coordenado de setores da base governista para desgastar a imagem do presidente da Câmara, especialmente após a escolha do deputado Guilherme Derrite (PP-SP) como relator do projeto. Derrite é opositor do governo federal e ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo, o que gerou forte reação dentro do Planalto.

A indicação do relator foi feita pelo próprio Hugo Motta, que participou ativamente das negociações para viabilizar a aprovação da proposta. À época, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), classificou o texto do projeto como uma “lambança legislativa”, o que aprofundou o desgaste entre os dois lados.

O clima de tensão ficou evidente no fim de novembro, quando Motta não participou da cerimônia, no Palácio do Planalto, que sancionou o projeto que elevou a faixa de isenção do Imposto de Renda. Dias antes, o presidente da Câmara também havia anunciado publicamente o rompimento político com o líder do PT na Casa, deputado Lindbergh Farias, do Rio de Janeiro.

Apesar dos episódios, Hugo Motta afirmou que as divergências foram superadas na reta final do ano. Segundo ele, a Câmara dos Deputados aprovou uma série de projetos de interesse do governo federal com apoio institucional da presidência da Casa, o que demonstra a disposição para manter o diálogo, mesmo diante de discordâncias.

Esforços para manter a comunicação

O presidente da Câmara destacou que, ao longo do ano, houve esforço para preservar canais de comunicação abertos com o Executivo. Para Motta, a relação entre os Poderes precisa respeitar a independência institucional, mas também buscar harmonia para garantir a governabilidade e o avanço de pautas consideradas prioritárias para o país.

Nomeação de Gustavo Feliciano

Ao comentar a articulação política do governo, Motta também falou sobre a nomeação de Gustavo Feliciano para o Ministério do Turismo. Segundo ele, deu um “testemunho favorável” ao presidente Lula sobre o nome do novo ministro, indicado por parte da bancada governista do União Brasil como estratégia para fortalecer a base aliada no Congresso.

Gustavo Feliciano, filho do deputado federal Damião Feliciano (União-PB), foi convidado para assumir a pasta após a saída de Celso Sabino (ex-União Brasil e atualmente sem partido), que havia sido indicado pelo mesmo grupo de parlamentares, mas acabou expulso do partido. De acordo com Motta, a escolha foi resultado de uma construção política interna e reflete o desejo de uma ala do União Brasil de continuar participando da governabilidade.

Para o presidente da Câmara, Feliciano pode contribuir para melhorar a articulação política do governo dentro do Congresso. Motta afirmou que mantém uma boa relação com o novo ministro, que já atuou como secretário de Turismo da Paraíba, e avaliou positivamente a decisão de Lula ao aceitar a indicação.

Carol Menezes

Repórter

Graduada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade da Amazônia (Unama) desde 2007. É natural de Belém (PA) e repórter do jornal Diário do Pará desde 2013. Atua em cobertura nas editorias de Cidades, Política, Economia e Cultura. Desde 2020 também redige a coluna Linha Direta, seguinte ao Repórter Diário, de terça a domingo. Prêmio Fiepa 2016 de Melhor Repórter de Jornalismo Impresso.

Graduada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade da Amazônia (Unama) desde 2007. É natural de Belém (PA) e repórter do jornal Diário do Pará desde 2013. Atua em cobertura nas editorias de Cidades, Política, Economia e Cultura. Desde 2020 também redige a coluna Linha Direta, seguinte ao Repórter Diário, de terça a domingo. Prêmio Fiepa 2016 de Melhor Repórter de Jornalismo Impresso.