
Enquanto boa parte dos brasileiros se preocupava com ceia, contas e início de ano apertado, o Natal em Brasília teve clima de confraternização reforçado no caixa. Na semana do feriado natalino, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva liberou R$ 1,53 bilhão em emendas parlamentares, um valor que colocou o período entre os sete maiores pagamentos semanais de 2025. Um verdadeiro presente de Papai Noel antecipado para deputados e senadores.
As emendas parlamentares são fatias do Orçamento indicadas por integrantes do Congresso Nacional e usadas, em tese, para obras e projetos nos redutos eleitorais. Na prática, elas se tornaram uma das moedas mais valiosas da relação entre Executivo e Legislativo, especialmente em anos de votação difícil e disputas políticas intensas.
Com o pagamento da semana do Natal, o total desembolsado pelo governo em emendas em 2025 chegou a R$ 30,2 bilhões. E a lista de desejos ainda não acabou. Além do que já foi pago, o governo empenhou mais R$ 2,6 bilhões e se comprometeu a quitar R$ 44,7 bilhões em emendas, o equivalente a 92% de tudo o que estava previsto no Orçamento deste ano. Caso não haja novos pagamentos, R$ 14,5 bilhões ficarão para os próximos anos na forma de restos a pagar.
Do valor liberado na semana natalina, a maior fatia foi destinada às emendas de bancadas estaduais, que são impositivas e somaram R$ 831 milhões, ou 55% do total. As emendas de comissão ficaram com R$ 416 milhões, enquanto as emendas individuais responderam por R$ 270 milhões. Deputados federais concentraram a maior parte dos recursos pagos no período, com R$ 500 milhões, enquanto os senadores ficaram com R$ 186 milhões.
O contraste chama atenção porque o pagamento ocorreu em um momento de forte pressão fiscal. As contas públicas acumulam déficits expressivos, e o governo discute cortes, revisão de gastos e ajustes para cumprir metas fiscais. Ainda assim, o cronograma de pagamentos mostrou que, para o Congresso, o espírito natalino passou longe de qualquer contenção.
Nos bastidores, o volume de recursos pagos reforça o peso político das emendas no funcionamento do governo e ajuda a explicar por que elas se tornaram alvo constante de críticas e questionamentos no Supremo Tribunal Federal, que já suspendeu repasses por falta de transparência. Enquanto isso, em Brasília, o Papai Noel não veio de trenó: veio em forma de ordem bancária.