Megaoperação no Complexo do Alemão e da Penha, que deixou 64 mortos, escancara crise da segurança no Rio — Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Megaoperação no Complexo do Alemão e da Penha, que deixou 64 mortos, escancara crise da segurança no Rio — Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Recordar é viver — e a política brasileira anda com amnésia seletiva. Em abril, quando o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, apresentou a PEC da segurança pública, governadores e parlamentares da extrema direita reagiram em coro: chamaram a proposta de “intervenção federal”, “ameaça à autonomia dos estados” e até “cortina de fumaça”. Agora, com 64 mortos no Complexo do Alemão e da Penha, o discurso virou fumaça de verdade.

Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) foi um dos primeiros a atacar o texto, dizendo que o governo queria “passar o combate ao crime para a Polícia Federal, que não tem estrutura para isso”. Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) pediu “cautela” para evitar “bagunça maior ainda na segurança”. Já Cláudio Castro (PL-RJ), o mesmo que defendeu a operação que terminou em massacre, afirmava que “não se pode impor diretrizes nacionais obrigatórias a um país tão diverso”.

Na época, a pressão desses governadores travou a tramitação da proposta na Câmara. A PEC ficou parada na Comissão Especial sobre Competências Federativas em Segurança Pública, mesmo após aprovação na CCJ. O próprio presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), evitava se comprometer com prazos.

A Mudança de Clima Político Após a Chacina no Rio

Mas a chacina no Rio mudou o clima político. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, cobrou a votação da PEC, destacando “a urgência de integrar forças no combate ao crime organizado”. O líder do governo, José Guimarães (PT-CE), reforçou: “A PEC é o caminho para unir esforços entre União e estados e fortalecer a inteligência policial”.

Agora, o mesmo Congresso que ignorou o tema corre para aprovar o texto “assim que sair da comissão”, nas palavras do próprio Hugo Motta. E os bolsonaristas, que chamavam a proposta de ameaça à soberania dos estados, tentam mudar o foco: homenageiam policiais, acusam a esquerda de “defender bandidos” e fingem que nunca foram contra a integração entre forças. E foi preciso o maior massacre da história do Rio para reacender um debate que a extrema direita tentou enterrar.

Carol Menezes

Repórter

Graduada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade da Amazônia (Unama) desde 2007. É natural de Belém (PA) e repórter do jornal Diário do Pará desde 2013. Atua em cobertura nas editorias de Cidades, Política, Economia e Cultura. Prêmio Fiepa 2016 de Melhor Repórter de Jornalismo Impresso.

Graduada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade da Amazônia (Unama) desde 2007. É natural de Belém (PA) e repórter do jornal Diário do Pará desde 2013. Atua em cobertura nas editorias de Cidades, Política, Economia e Cultura. Prêmio Fiepa 2016 de Melhor Repórter de Jornalismo Impresso.