
Estudantes de diversas regiões do Brasil convocaram uma série de manifestações para o próximo sábado (22), pedindo que a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2025 seja anulada. As manifestações estão sendo organizadas majoritariamente por redes sociais e grupos de WhatsApp. No Instagram, perfis como “Protesto Enem 2025” e “Anula o Enem” passaram a divulgar datas, locais e instruções.
A mobilização ganhou força nas redes sociais após o anúncio de que três questões do exame foram canceladas, enquanto o Ministério da Educação (MEC) acionou a Polícia Federal para investigar o possível vazamento de conteúdos antes da aplicação oficial.
Grupos de estudantes argumentam que a situação compromete a igualdade de condições entre os concorrentes e ameaça o acesso às vagas no ensino superior.
Em Fortaleza (CE), a concentração será às 13h, na Praça da Gentilândia, no bairro Benfica, tradicional área de circulação universitária. No interior do estado, Sobral terá ato marcado para às 17h no Arco do Triunfo.
Já no Norte, os protestos ocorrerão no Amazonas e em Rondônia.
No Nordeste, ainda, estados como Sergipe, Bahia, Maranhão e Pernambuco também confirmaram atos. As manifestações ocorrerão, respectivamente, na Orla da Atalaia (Aracaju), no Farol da Barra (Salvador), na Praça Deodoro (São Luís) e na Rua da Aurora (Recife).
No Sudeste, estudantes se reúnem em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Vitória. No Centro-Oeste, o Distrito Federal realizará protesto já nesta sexta-feira (21), enquanto Goiás segue o calendário nacional no sábado (22).
As entidades estudantis que representam alunos da educação básica e superior afirmam acompanhar o caso e cobram medidas que garantam que nenhum candidato seja prejudicado. Em nota conjunta, a União Nacional dos Estudantes (UNE), a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) declararam:
“Os estudantes que fizeram o ENEM não podem ficar em prejuízo! Procuramos o MEC e estamos vigilantes para que os estudantes que fizeram o ENEM não saiam no prejuízo. Muitos estudantes dedicaram meses e até anos de estudo e dedicação, e não podem correr o risco de ficar de fora da universidade. Ações individuais não podem comprometer sonhos coletivos”.
Como começou a crise
A mobilização nacional ganhou força após a repercussão de aulas e postagens do estudante cearense Edcley Teixeira, de 28 anos, que antecipou conteúdos extremamente similares a três questões da prova. Após a descoberta, os itens foram anulados e a Polícia Federal passou a conduzir investigações para apurar se houve vazamento oficial.
Edcley, que cursa medicina na Universidade Federal do Ceará (UFC), vende cursos preparatórios pela internet e soma mais de 32,8 mil seguidores, número que cresceu desde o episódio.
Nas redes sociais, páginas organizadoras dos protestos criticam a permanência do conteúdo comercializado pelo estudante, afirmando que o caso demonstra falta de controle sobre a segurança do exame. Um dos perfis escreveu: “Enquanto a ineficiência reina, ele continua faturando em cima das falhas do Inep! Exija justiça, isonomia e lisura!”.
Apesar das críticas, Edcley continua oferecendo suas monitorias. Segundo ele, mais de 9 mil interessados procuraram vagas em seus cursos, embora consiga atender apenas cerca de 500 estudantes.