
A Embrapa lançou, durante a COP30, o selo Carne Baixo Carbono (CBC), criado para identificar produtores que adotam práticas pecuárias que reduzem emissões de gases de efeito estufa. A certificação foi desenvolvida em parceria com a MBRF e a ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira.
O protocolo reúne critérios técnicos para avaliar propriedades que usam tecnologias sustentáveis, como integração lavoura-pecuária (ILP), pastagens de alta produtividade, recuperação de áreas degradadas e manejo eficiente de solo e água. Segundo a Embrapa, essas técnicas aumentam a captura de carbono no solo, reduzem o impacto ambiental da pecuária e tornam o uso da terra mais eficiente, evitando a abertura de novas áreas.
Com o selo, o consumidor passa a ter a segurança de que aquela carne foi produzida seguindo regras ambientais claras e auditáveis. O tema é relevante porque a pecuária bovina responde por cerca de 20% das emissões nacionais de CO₂ equivalente.
Para a ONG Amigos da Terra, o selo reforça a adoção do Plano ABC+, política nacional de mitigação climática. A certificação — segundo eles — também traz benefícios econômicos ao produtor, como pastos mais produtivos, carne mais valorizada e maior acesso a mercados exigentes.
CARNE BOVINA DE BAIXO CARBONO
A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, afirma que o selo ajuda a consolidar uma cadeia de carne bovina de baixo carbono “transparente e auditável”. Já a MBRF, responsável por aplicar o selo, diz que a certificação valida seu compromisso com uma pecuária monitorada, sem desmatamento e baseada em ciência.
A expectativa é que a adoção crescente do protocolo fortaleça a transição para uma pecuária brasileira mais sustentável e alinhada às metas de descarbonização do Acordo de Paris — mantendo a tradição do campo, mas com um passo firme rumo ao futuro.
O Metano e a Pecuária Sustentável
O arroto do boi libera metano (CH₄), não CO₂, porque bovinos são ruminantes e fazem a digestão no rúmen, uma espécie de câmara de fermentação cheia de micro-organismos que quebram as fibras do capim. Durante esse processo de fermentação, esses micróbios produzem metano, que precisa ser expelido — e a forma mais comum é pelo arroto.
O metano preocupa porque tem um poder de aquecimento muito maior que o dióxido de carbono, e, como há milhões de bovinos, a soma dessas emissões aumenta o impacto climático da pecuária. É por isso que práticas como pastagens mais produtivas, manejo adequado e integração lavoura-pecuária ajudam: além de melhorar a eficiência da fazenda, aumentam a captura de carbono no solo e compensam parte desse metano produzido naturalmente pelo metabolismo do animal.
Editado por Luiz Octávio Lucas