
O dia 8 de janeiro de 2023 marcou um dos episódios mais graves da história recente do Brasil, quando ataques coordenados resultaram na invasão e depredação das sedes do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal, em uma tentativa explícita de ruptura institucional e de deslegitimação do resultado das eleições.
Os atos atentaram contra símbolos da República e colocaram em risco o Estado Democrático de Direito, consolidado após décadas de reconstrução democrática no país.
Três anos depois, a data segue como um marco que exige memória, responsabilidade e vigilância permanente.
As investigações avançaram, identificando organizadores, financiadores e executores dos ataques, com responsabilizações criminais, condenações e processos em curso no Supremo Tribunal Federal.
O episódio também impulsionou o reforço da segurança institucional e ampliou o debate nacional sobre desinformação, radicalização política e a defesa das instituições democráticas.
Nesta quarta, 8 de janeiro, está previsto um ato na Praça dos Três Poderes para marcar os três anos dos ataques e reafirmar o compromisso do país com a democracia. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa do evento ao lado de representantes do Legislativo e do Judiciário, em um gesto simbólico de união entre os Poderes.
A mobilização também contará com a participação da população, chamada a ocupar o espaço público para lembrar que a democracia precisa ser defendida continuamente e que tentativas de ruptura não podem ser esquecidas nem relativizadas.
A lembrança do 8 de janeiro cumpre um papel fundamental na preservação da ordem democrática. Recordar o que ocorreu não é reviver conflitos, mas afirmar valores constitucionais e reforçar que divergências políticas devem ser resolvidas dentro das regras democráticas. Manter viva a memória dessa data é reafirmar que o Brasil não admite retrocessos e que o Estado Democrático de Direito deve ser protegido todos os dias.
Mais de 800 golpistas foram condenados
Três anos após os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) já condenou mais de 800 acusados de participação nos atos que tentaram abalar a democracia brasileira e o funcionamento das instituições, no final do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Os números foram apurados pelo gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos relacionados à tentativa de golpe, até meados de dezembro de 2025. Os dados ainda podem sofrer atualizações.
Após os atos golpistas, a Procuradoria-Geral da República (PGR) protocolou 1.734 ações penais no STF. As acusações foram divididas entre incitadores, executores e quatro núcleos principais, que deram sustentação à tentativa de Bolsonaro de se manter no poder após perder as eleições, subvertendo assim a ordem democrática.

