
Diante de uma severa crise financeira, os Correios aprovaram um amplo plano de reestruturação. A estatal prevê contratar ainda em novembro um empréstimo de até R$ 20 bilhões para conseguir honrar obrigações de curto prazo. A empresa vive uma crise financeira crescente, com as receitas em declínio.
Para tentar reorganizar o principal serviço de postagem do país, a empresa Correios anunciou um processo dividido em três etapas: recuperação financeira, consolidação e crescimento a longo prazo. Dentro desse pacote, a estatal planeja monetizar ativos e vender imóveis que, segundo suas estimativas, podem render até R$ 1,5 bilhão. Também está na mesa a readequação da rede de atendimento, que pode levar ao fechamento de até mil agências deficitárias, além de um novo Programa de Demissões Voluntárias e ajustes no custeio do plano de saúde.
No primeiro semestre de 2025, o balanço apresentou R$ 5,4 bilhões em custos e um déficit líquido de R$ 4,5 bilhões. Mesmo assim, os Correios projetam redução desse rombo em 2026 e, com o plano de reestruturação em andamento, estimam voltar ao azul em 2027. A estatal também não descarta movimentos mais ousados, como fusões, aquisições e outras reorganizações societárias, para recuperar competitividade no médio e longo prazo.
Troca no comando
A condução dessa travessia está nas mãos de Emmanoel Schmidt Rondon, presidente dos Correios desde setembro. Ele assumiu o posto após a saída de Fabiano Silva dos Santos, que deixou o cargo em julho sob forte pressão por conta do fraco desempenho financeiro da empresa. Rondon é funcionário de carreira do Banco do Brasil, formado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e pós-graduado com MBA Executivo pelo IBMEC.
Editado por Luiz Octávio Lucas