
Condenado pela morte de Eloá Cristina, Lindemberg Alves está entre os detentos contemplados pela última saida temporaria de 2025 no Vale do Paraíba e região. O benefício começa nesta terça-feira (23) e alcança ao menos 3.147 presos que cumprem pena em unidades prisionais do interior de São Paulo.
Lindemberg cumpre pena na Penitenciária 2 de Tremembé, unidade conhecida por abrigar condenados por crimes de grande repercussão nacional. Ao todo, 116 internos do presídio receberam autorização para deixar a unidade durante o período da saida temporaria. A maioria deve retornar ao sistema prisional até o dia 5 de janeiro.
Repercussão do Crime e Condenação
O crime ocorreu em 2008 e teve ampla repercussão em todo o país. Lindemberg manteve Eloá Cristina, então com 15 anos, em cárcere privado por mais de 100 horas, junto com a amiga Nayara Rodrigues e outros dois colegas, em um apartamento na Grande São Paulo. Após o fim das negociações com a polícia, a jovem foi baleada e morreu. Ele foi condenado a 39 anos de prisão.
Segundo levantamento do g1, o maior número de beneficiados na região está concentrado no Centro de Progressão Penitenciária Dr. Edgard Magalhães Noronha (Pemano), também em Tremembé, que reúne cerca de 2.300 presos aptos à saida. As liberações foram organizadas por pavilhões: internos dos pavilhões 1 ao 8 deixam a unidade nesta terça-feira (23) e devem retornar até 5 de janeiro; já os dos pavilhões 9 ao 16 saem na quarta-feira (24), com retorno previsto para o dia 6.
Detalhes das Liberações e Benefícios
Outras unidades da região também registraram liberações. A Penitenciária 1 masculina de Tremembé tem 233 presos aptos ao benefício, enquanto a P1 feminina soma 97 e a P2 feminina, 114. Em Potim, a Penitenciária 1 tem cinco detentos autorizados e a P2, 185. No litoral norte, o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Caraguatatuba conta com 85 presos beneficiados, e o CDP de São José dos Campos, 12. O CDP de Taubaté não registrou internos aptos nesta etapa.
Prevista em lei, a saida temporaria é considerada um instrumento de ressocialização e de manutenção do vínculo dos presos com o meio externo. De acordo com portaria do Tribunal de Justiça de São Paulo, o estado realiza quatro liberações por ano, geralmente nos meses de março, junho, setembro e dezembro — esta última coincidindo com as festas de Natal e Ano Novo.
Para ter direito ao benefício, o detento precisa ter cumprido ao menos um sexto da pena, no caso de réu primário, ou um quarto, se reincidente, além de apresentar bom comportamento. Presos com registros de faltas leves ou médias precisam passar por reabilitação de conduta antes de voltar a ser elegíveis para a saida temporaria.
Editado por Luiz Octávio Lucas