
O Brasil vive um momento histórico no turismo internacional. Entre janeiro e outubro de 2025, o país recebeu 7,68 milhões de visitantes estrangeiros, superando com folga o antigo recorde, que era de 6,6 milhões. Para o ministro do Turismo, Celso Sabino, a tendência é de um ano ainda mais expressivo, com projeções que apontam para a chegada de cerca de 10 milhões de turistas internacionais até dezembro — uma meta que originalmente só seria alcançada em 2028.
Em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, direto de Belém (PA), onde participa da COP30, Sabino destacou que o Brasil atingiu mais de 7 milhões de visitantes ainda em setembro, restando mais de três meses para o encerramento do ano. Segundo ele, trata-se de um volume superior até mesmo ao registrado durante eventos de grande porte, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, algo que “há poucos meses parecia inimaginável”.
O acumulado até outubro representa um crescimento de 42,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foram contabilizados 5,4 milhões de turistas internacionais. Somente em outubro, houve 587 mil chegadas, um aumento de 15,4% em comparação com 2024.
O ministro avalia que o país caminha para se consolidar como a quarta maior potência turística das Américas, atrás apenas de Estados Unidos, Canadá e México. Para isso, aposta na execução rigorosa do Plano Nacional de Desenvolvimento do Turismo, criado em 2023, que estabelece metas, prazos e ações antecipadas para impulsionar o setor.
Sabino também destacou os investimentos realizados por meio do Fundo Getúlio, destinado ao financiamento de infraestrutura turística privada. Segundo ele, mais de R$ 2 bilhões já foram aplicados em todo o país na construção de hotéis, pousadas, restaurantes, transportadoras, agências e operadoras de turismo, reforçando um ambiente favorável a novos investimentos.
Além disso, iniciativas como o guia de investimento elaborado com a CAF e a ONU Turismo, e programas como “Conheça o Brasil Voando” e “Conheça o Brasil Realiza”, buscam ampliar o acesso ao turismo nacional. Há ainda ações voltadas à inclusão, como o desconto de 15% em hotéis para mulheres que viajam sozinhas e professores da rede pública.
Impacto da COP30 no Turismo do Pará
Esse movimento nacional encontra no Pará um reflexo particularmente significativo. A realização da COP30 em Belém elevou o estado a uma posição de destaque no turismo internacional. Dados da Embratur mostram que, entre janeiro e maio de 2025, o Pará recebeu 10.659 turistas estrangeiros, um aumento de 27% em relação ao ano anterior.
Em 2024, somente no primeiro semestre, o número de turistas internacionais já havia mais do que dobrado em relação a 2023. A Setur registrou ainda uma receita turística de cerca de R$ 750 milhões no estado, impulsionada por quase um milhão de visitantes nacionais e 54 mil internacionais.
Com a conferência da ONU, a capital paraense atingiu picos de 95% de ocupação hoteleira, e o governo federal estima que Belém receba entre 50 mil e 55 mil visitantes estrangeiros durante o evento. Para preparar a cidade, foram feitos investimentos superiores a R$ 630 milhões em infraestrutura, incluindo melhorias no aeroporto e no terminal portuário, garantindo legado duradouro para o turismo local.
A Setur também iniciou uma pesquisa de perfil dos turistas da COP30, ouvindo visitantes em pontos icônicos como Estação das Docas, Ver-o-Peso, Basílica e Mangal das Garças, buscando compreender hábitos, gastos e percepções sobre o destino.
Com a visibilidade global proporcionada pela COP30 e o crescimento sustentado do fluxo turístico, o Pará se consolida como porta de entrada da Amazônia e reforça sua posição estratégica no cenário internacional. O Brasil, por sua vez, vive um ciclo virtuoso no setor, combinando investimentos, planejamento e promoção para transformar o turismo em um motor econômico de impacto duradouro.
Editado por Luiz Octávio Lucas