
Um silêncio sepulcral marcou a reação do clã do ex-presidente Jair Bolsonaro após a prisão de Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, detido nesta sexta, 26, em Assunção, no Paraguai. Um dos mais fiéis aliados do bolsonarismo, Vasques foi preso horas depois de ter a condenação confirmada no âmbito das investigações sobre a trama golpista relacionada às eleições de 2022, sem que qualquer integrante da família Bolsonaro se manifestasse publicamente sobre o episódio, segundo revelou o colunista Igor Gadelha, do portal Metrópoles.
Até o início da noite, nenhum dos filhos do ex-presidente comentou a tentativa de fuga e a prisão do ex-diretor da PRF. O senador Flávio Bolsonaro, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro e o vereador licenciado Carlos Bolsonaro mantiveram absoluto mutismo, apesar da forte repercussão política e jurídica do caso.
Flávio Bolsonaro, apontado como pré-candidato à Presidência da República, preferiu usar suas redes sociais para divulgar o resultado de uma pesquisa do instituto Paraná Pesquisas, que indicaria empate técnico entre ele e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual segundo turno. O senador também comentou um relatório da Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA sobre liberdade de expressão no Brasil, evitando qualquer referência à prisão de Silvinei Vasques.
Carlos Bolsonaro concentrou suas publicações em atualizações sobre o estado de saúde do pai, que se recupera de uma cirurgia para correção de duas hérnias inguinais. Já Eduardo Bolsonaro, que se encontra nos Estados Unidos, não fez postagens em seu perfil na rede X ao longo do dia. Na quinta, 25, ele havia agradecido ao presidente da Argentina, Javier Milei, por compartilhar uma publicação em apoio à eventual candidatura de Flávio ao Palácio do Planalto.
Silvinei Vasques, de 50 anos, comandou a Polícia Rodoviária Federal entre abril de 2021 e dezembro de 2022, durante o governo Bolsonaro. No último dia 16, ele foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal ao lado de outros quatro réus, acusados de integrar o chamado “núcleo 2” da trama golpista. Segundo a decisão, Vasques utilizou a estrutura da PRF para atuar politicamente em favor de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022, especialmente no segundo turno do pleito.
Editado por Fábio Nóvoa