
O barco-obra e centro cultural flutuante da Bienal das Amazônias retorna a Belém com uma intensa programação artística durante a Cúpula dos Povos, evento paralelo à COP30. De 10 a 15 de novembro, a embarcação estará ancorada na orla do Campus Básico da UFPA, transformando o espaço em um ponto de encontro entre arte, ciência e resistência amazônica.
Após percorrer 15 cidades ribeirinhas e reunir cerca de 60 mil visitantes em cinco meses de viagem, o barco encerra sua jornada em Belém com atividades gratuitas, abertas ao público das 18h às 22h. A proposta é promover a integração entre arte, território e meio ambiente, reforçando o papel da cultura como ferramenta de transformação social.
Idealizadora da Bienal, Lívia Conduru define a chegada do barco à Cúpula dos Povos como um gesto simbólico: “É somar à força coletiva da sociedade civil, afirmando que a arte e a cultura são também formas de ação política e cuidado com o território”.

Programação destaca teatro, cinema e saberes tradicionais
A programação é diversificada e traz produções que evidenciam as múltiplas vozes da Amazônia:
10 de novembro – Teatro: abertura com “Aguar o Tempo”, do grupo In Bust Teatro com Bonecos, espetáculo premiado que propõe uma imersão poética nas ancestralidades amazônidas.
11 de novembro – Cinema: exibição do longa “Manas” (2024), de Marianna Brennand, filmado no Marajó e centrado na resistência feminina.
12 de novembro – Sessão dupla de filmes: “Jeguatá Xirê”, premiado em Gramado, e o documentário “Panela Histórica”, sobre memória e culinária marabaense.
13 de novembro – Cooperação científica: encontro Furdunço da Cooperação Franco-Brasileira na Amazônia, com a presença de pesquisadores do Brasil e do Congo, seguido de show da Orquestra de Carimbó do Pará.
14 de novembro – Música e ancestralidade: apresentação do projeto Pandeiro Livre com o coletivo Amazonizando, exaltando ritmos afro-amazônicos.
15 de novembro – Protagonismo feminino: lançamento da série “Matriarcas”, de Joyce Cursino, e exibição do documentário “Mestras”, de Roberta Carvalho e Aíla, em homenagem às mulheres guardiãs de saberes da Amazônia.

Convergência entre arte, ciência e sustentabilidade
A iniciativa, realizada em parceria com a UFPA, reafirma a vocação da Bienal das Amazônias em mobilizar a cultura como instrumento de transformação e diálogo sustentável. O projeto é fruto da colaboração entre Kayeb Amazônia, Lettera Editora, Horus Planejamento e Gestão, Instituto Cultural Amazônia do Amanhã e Universidade Federal do Pará, com patrocínio da FADESP e apoio da Jambo Comunicação.
Mais que um evento artístico, a Bienal das Amazônias Sobre as Águas se consolida como um símbolo de convergência entre arte, conhecimento e resistência, navegando pelas águas do território e pelas correntes do pensamento crítico sobre o futuro da Amazônia.

Editado por Débora Costa