Pedro Rocha não perdoou. Foto: Wagner Almeida
O adeus que dói: artilheiro do Remo decide deixar o clube após temporada histórica. Foto: Wagner Almeida

Entre chegadas e partidas, a torcida do Remo terá motivos de sobra para lamentar algumas despedidas — e isso é perfeitamente compreensível. O treinador do acesso que está de saída, o artilheiro e ídolo que também vai partir… certos adeuses são traumáticos, quase como lutos esportivos, e só o tempo ajuda a cicatrizar. Ninguém sabe o que se passa na cabeça de ninguém, como já cantou Humberto Gessinger, e tentar decidir o futuro dos outros é quase um crime. Antes de julgar, é preciso entender as razões que encerram determinados ciclos.

Aos 31 anos, Pedro Rocha decidiu não permanecer no Remo. E, sinceramente, isso era algo que poderia acontecer a qualquer momento. A carreira de um jogador de futebol tem uma validade cruel: alguns chegam aos 40, mas a maioria passa dos 35 com dificuldade — sem falar em quem vê o caminho encurtado por lesões.

Artilheiro da Série B, Pedro sabe disso melhor do que ninguém e precisa garantir seu futuro enquanto ainda pode. Sua carreira teve altos e baixos, mesmo passando por clubes de grande porte. E arrisco dizer: sua melhor fase foi no Remo. Ele virou ídolo sem sequer ter sido a principal contratação da temporada. Esse posto, em teoria, era de Felipe Vizeu, badalado à época — mas o tempo mostrou que era um jogador superestimado. Tanto que sua saída foi comemorada pela torcida.

A trajetória de Pedro Rocha no Remo

Pedro Rocha se transformou na grande sensação do time: gols decisivos, inúmeras assistências, jogo coletivo e participação direta em momentos que evitaram grandes crises. O Remo funcionou ao redor dele — e também contou com o brilho salvador do goleiro Marcelo Rangel, que permanece. Mas o artilheiro, não. Assim é o futebol. Talvez, um dia, ele volte. Mas retornar nem sempre significa repetir o mesmo sucesso; muitos ídolos já mancharam suas histórias tentando reviver tempos que não voltam mais. Vai de cada um.

À torcida azulina, resta agradecer pelos serviços prestados. Nos últimos anos, poucos honraram tanto o manto azul-marinho quanto Pedro Rocha.

Voltamos a qualquer momento.

Clayton Matos

Diretor de Redação

Clayton Matos é jornalista formado na Universidade Federal do Pará no curso de comunicação social com habilitação em jornalismo. Trabalha no DIÁRIO DO PARÁ desde 2000, iniciando como estagiário no caderno Bola, passando por outras editorias. Hoje é repórter, colunista de esportes, editor e diretor de redação.

Clayton Matos é jornalista formado na Universidade Federal do Pará no curso de comunicação social com habilitação em jornalismo. Trabalha no DIÁRIO DO PARÁ desde 2000, iniciando como estagiário no caderno Bola, passando por outras editorias. Hoje é repórter, colunista de esportes, editor e diretor de redação.