
Após oito anos de atividades, o Clube da Guitarrada está chegando ao seu 79º encontro, e com uma agenda mais do que especial, com um pacotão de lançamentos. O show desta noite, na Casa Apoena da Cidade Velha, conta com a participação de dois mestres da guitarrada amazônica, Curica e Solano, num encontro de gerações da música para marcar o lançamento do primeiro registro autoral do coletivo, que chega hoje às plataformas digitais. E ainda a abertura da exposição fotográfica “Nos Bastidores do Clube da Guitarrada”, que poderá ser vista até 12 de dezembro.
O Clube da Guitarrada surgiu em 2017, sempre realizando um encontro mensal, normalmente no primeiro domingo de cada mês. Hoje integram o coletivo os músicos Layse e Mariano Junior (bateria); Marcelino Santos e Matheus Baraúna (percussão); Camila Barbalho, Gabriel Dietrich e Camila Alves (contrabaixo); Danilo Rosa, Bruno Rabelo, Belém de Belém, Eduardo Barbosa, Wesley Sousa, Raissa Coutinho e Thaina Correa (guitarras); e Kleyton Silva (voz).
O EP “Clube da Guitarrada” apresenta seis composições instrumentais assinadas pelos membros do Clube, em que constam gêneros amazônicos e caribenhos como lambada/guitarrada, brega, cumbia e carimbó. O álbum foi gravado ao vivo, em 2024, durante a realização do documentário “O Clube da Guitarrada”, da diretora Tânia Menezes, e remixado e finalizado este ano, no Estúdio Casa. As seis faixas presentes no EP compõem a trilha sonora do filme, junto às canções dos antigos mestres.
Foi dos momentos dessa gravação que também surgiu a exposição fotográfica que o público poderá ver a partir de hoje, com 21 registros de Kleyton Silva e Gustavo Sousa. Com curadoria de Tânia Menezes e Bruno Rabelo, e concepção de Tânia Menezes e Paloma Costa, o projeto foi realizado com o suporte do Prêmio Proex de Arte e Cultura da UFPA e da Lei Paulo Gustavo, via Secult/Governo do Pará.
Discussões sobre o estilo Guitarrada
“O Clube surgiu com a proposta de ser um espaço dedicado ao nosso gênero guitarrada, algo que não existia na cidade, valorizando os mestres antigos e propondo discussões sobre o estilo. Ao longo desses anos, tocamos bastante com o Aldo Sena, Curica e Solano, como banda-base em diversos festivais. E aí foi um processo natural os membros do Clube apresentarem suas músicas, uma consequência desse longo trabalho de divulgação da nossa guitarrada”, pondera Danilo Rosa, guitarrista do coletivo e um dos produtores do álbum.
Também produtor do disco e coordenador do Clube, Bruno Rabelo lembra que o coletivo leva adiante uma história longa e muito própria da música da Amazônia. “A história da guitarrada possui já meio século. Um gênero brasileiro único, feito para a guitarra elétrica, e nosso, do Pará, feito na Amazônia. Começou com o Mestre Vieira, e o irmão do Pinduca, o guitarreiro Mário Gonçalves, lá nos anos 1970 do século passado. Uma longuíssima trajetória, muitas vezes atribulada com altos e baixos, até chegarmos nos dias de hoje, com o gênero sendo valorizado nas diversas classes sociais”.
O futuro da Guitarrada
Para Rabelo, o Clube abre um capítulo contemporâneo que tem como grande objetivo manter viva a guitarrada. “O Clube vem contribuindo humildemente para esse engrandecimento da guitarrada, mas sempre tendo em mente que é preciso apontar para o futuro também. Por isso esse lançamento. Há uma nova geração de apreciadores e apreciadoras da guitarrada chegando. E o EP é um reflexo desse momento. Só nesse disco temos seis compositores do gênero, e no nosso coletivo. Somados, somos quase duas dezenas, e temos muito mais!”, garante.
CHEGUE JUNTO
Encontro 79 do Clube da Guitarrada
Lançamento do 1º EP + abertura exposição fotográfica “Nos Bastidores do Clube da Guitarrada”
Participações de Mestres Curica e Solano
Quando: Hoje, 5, com abertura da casa com DJ às 20h e show às 23h.
Onde: Casa Apoena (Rua S. Boaventura, 171 – Cidade Velha)
Quanto: R$ 20
Visitação da mostra: Até 12 de dezembro.
Saiba mais: instagram.com/ clubedaguitarrada