
A partir de 1º de janeiro de 2026, Pluto, um dos personagens mais antigos do universo Disney, passa a integrar o domínio público. A mudança vale exclusivamente para a primeira versão do personagem, apresentada no curta-metragem Os Prisioneiros, de 1930. Com isso, essa representação inicial deixa de ter direitos autorais exclusivos e poderá ser utilizada por artistas, escritores e criadores em novas obras, sem necessidade de autorização.
É importante destacar que o Pluto que entra em domínio público é bem diferente do cachorro dócil e brincalhão que o público consagrou ao longo das décadas. Na animação de estreia, o personagem aparece como um cão policial, envolvido na perseguição a Mickey Mouse durante uma fuga da prisão. Trata-se de um Pluto ainda em construção, sem os traços afetivos e comportamentais que só seriam definidos anos depois.
A legislação norte-americana prevê que obras entrem em domínio público após 95 anos de sua criação, sempre no primeiro dia do ano seguinte ao vencimento desse prazo. Foi o que ocorreu recentemente com Mickey e Minnie Mouse, liberados em suas versões originais de Steamboat Willie (1928). Assim como no caso deles, apenas a forma inicial de Pluto poderá ser reutilizada, enquanto as versões posteriores seguem protegidas pela Disney.
Mais do que uma curiosidade jurídica, a entrada de Pluto em domínio público reforça o papel desses personagens como patrimônios culturais. Ao permitir novas leituras e interpretações, o processo amplia o diálogo entre passado e presente, sem apagar a história construída ao longo do tempo. Nos próximos anos, outros nomes clássicos da Disney devem seguir o mesmo caminho, consolidando uma transição simbólica entre a criação industrial e o imaginário coletivo.