Jards Macalé. Foto: Divulgação
Jards Macalé. Foto: Divulgação

O Brasil perdeu, nesta segunda, 17, uma das vozes mais singulares e indomáveis da Música Popular Brasileira: morreu no Rio de Janeiro o cantor, compositor e violonista Jards Macalé, aos 82 anos, figura central da música brasileira e autor de clássicos como “Vapor Barato” e “Movimento dos Barcos”.

A informação foi confirmada pelas redes sociais do artista. Macalé estava internado em um hospital na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio, onde tratava de uma enfisema pulmonar. Nesta segunda, ele sofreu uma parada cardíaca.

Conhecido como “anjo torto” da MPB — apelido que abraçava tanto sua rebeldia estética quanto sua recusa a seguir modismos — Macalé deixa um legado marcado pela ousadia, pela contracultura e pela defesa intransigente da liberdade artística.

Um artista que nunca pediu licença

Nascido em 1943, no Rio de Janeiro, Jards Anet da Silva cresceu cercado por música e desenvolveu cedo um ouvido afiado para misturar o que ninguém misturava: samba-canção, jazz, vanguarda, rock, modinhas, experimentações.

Trabalhou com Maria Bethânia, Gal Costa, Caetano Veloso, Nara Leão e tantos outros, sem jamais abrir mão do caminho próprio — às vezes torto, às vezes solar, sempre original. Foi em sua voz e em suas composições que a MPB encontrou um de seus pontos de desvio mais férteis.

Legado e Obras de Jards Macalé

Entre seus discos marcantes estão Jards Macalé (1972), Aprender a Nadar (1974) e o elogiado Besta Fera (2019), que o apresentou a novas gerações. Até os últimos anos, seguia gravando, se apresentando e participando de projetos especiais, mostrando que sua inquietação criativa jamais se aposentou.

Macalé parte deixando uma obra que continua inspirando músicos, pesquisadores, cineastas e ouvintes que buscam nele uma MPB menos domesticada, mais visceral — uma música que não se acomoda, que cutuca, que provoca, que respira liberdade. Um daqueles artistas que lembram, com uma piscadela, que a tradição também vive nos que ousam.

Editado por Luiz Octávio Lucas