1º Arrastão Cultural da Embaixada de Samba Império Pedreirense. Foto: Mauro Ângelo
1º Arrastão Cultural da Embaixada de Samba Império Pedreirense. Foto: Mauro Ângelo

Belém já respira carnaval. O batuque tomou conta das ruas neste domingo (4) e a cidade entrou oficialmente no clima da maior festa popular do país. Foi assim que, no bairro da Pedreira, esse movimento ganhou força com o 1º Arrastão Cultural da Embaixada de Samba Império Pedreirense, que reuniu comunidade, foliões e amantes do samba no calendário carnavalesco de 2026.

O arrastão é promovido pela Império Pedreirense e integra a programação inicial das escolas de samba da capital, que retomam seus encontros aos fins de semana. Para o presidente das Escolas de Samba Associadas (ESA), Fernando Guga, o momento simboliza a culminância de um trabalho que dura o ano inteiro.

“Carnaval é uma construção anual. Desde a elaboração do enredo, a produção do samba, enfim, é uma construção que dura o ano todo. Agora é a culminância. Quando o povo está na rua, quando as comunidades se encontram, é a parte que a gente mais gosta. Porque carnaval é exatamente isso. É comunidade, é gueto, é povo na rua, ocupando os bairros”, afirmou.

Conforme Guga, a ESA representa oito agremiações do grupo especial, uma elite do Carnaval de Belém e a agenda de arrastões e eventos acontece através de reuniões. “São bairros diferentes da cidade, então todos os bairros ficam ocupados com escola de samba”, explicou. Sobre as expectativas para 2026, ele resume: “Resistência, sempre resistência, mas também beleza, luxo e povo”.

Império e o carnaval de 2026

Com o enredo “Xapuri, Pará, Paris Ulalá Mon Cheri! A Embaixada Canta Nazaré Pereira”, a Império Pedreirense abriu seus trabalhos de rua com concentração às 16h, no barracão da escola, na travessa Mauriti, no bairro da Pedreira. O cortejo saiu às ruas por volta das 18h30, acompanhado de trio elétrico e com a presença de todos os quesitos: Comissão de Frente, Mestre-Sala e Porta-Bandeira, baianas, músicos, cantores e bateria.

Presidente da escola, Paulo Roberto Pinto, o Chico da Embaixada, destacou o significado do enredo escolhido para o carnaval de 2026. “É uma homenagem à cantora Nazaré Pereira, uma das nossas cantoras internacionais que nós temos aqui, pouco reconhecida pelo povo paraense e pela mídia. A Pedreira resolveu fazer esta homenagem. O nosso carnavalesco, Jean Negrão, chegou com a proposta, a diretoria analisou e viu que esse enredo, com toda certeza, dá carnaval”, disse.

Chico também ressaltou que a preparação da escola já está em andamento desde novembro, apesar das dificuldades. “Nós já estamos nos preparando, como todas as escolas. Hoje é o nosso primeiro ensaio de rua, com todos os quesitos, e esse ensaio serve para levar alegria à comunidade pedreirense e a todo o povo do samba paraense”, frisou. Os ensaios de rua acontecem todos os domingos, enquanto os ensaios de quadra são realizados às terças e quintas-feiras.

Para quem vive o carnaval, o arrastão tem um significado ainda mais especial. Morador da Pedreira desde que nasceu, o funcionário público Jeison Alves, de 41 anos, acompanha a Império Pedreirense há três décadas. “A Império Pedreirense mora no meu coração. Enquanto a gente não vê o primeiro arrastão na rua, parece que não começa o Carnaval. E, agora nós estamos aqui sambando, animando, levantando a escola para ir rumo à vitória, com aquela ansiedade que bate no peito”, contou.

Jeison Alves, funcionário público. Foto: Mauro Ângelo

É nesse ritmo que essa paixão também move quem defende os símbolos da agremiação na avenida. Porta-bandeira da Império Pedreirense há 16 anos, Shayene Negrão, de 34 anos, é uma delas. 

“A escola faz parte da minha vida. Meu irmão também é carnavalesco dessa escola, então já faz muitos anos que a gente participa de todos esses carnavais. No Império, são 16 anos defendendo o pavilhão. Este ano é ainda mais incrível: a gente vem trazendo esse tema especial, homenageando uma cantora que atravessou continentes e agora volta para a nossa escola para ser homenageada”, concluiu.