Os fãs do bom e velho rock podem comemorar: Supla desembarca em Belém no próximo dia 27 de julho
Filho de políticos, o vocalista do Tóquio teve a música "Mão Direita" censurada, mas virou um símbolo sexual nos anos 80.. Foto: Divulgação

O roqueiro Eduardo Smith de Vasconcelos Suplicy, nascido em 1966, é um dos nomes mais inesquecíveis da cena musical brasileira, conhecido tanto por seu sucesso nos anos 80 quanto por sua resiliência pessoal, de acordo com o jornalista Júlio Ettore. Supla, que já foi vocalista da banda Tóquio, ator e alvo de críticas, teve uma trajetória marcada por um berço de ouro, a vida de “zé ninguém” nos EUA e um retorno triunfal graças a um clipe considerado trash.

O Berço de Ouro e as Primeiras Críticas

Supla é filho da psicóloga e sexóloga Marta Suplicy, descendente de nobre família portuguesa, e do economista Eduardo Suplicy, bisneto do Conde Francesco Matarazzo. Ele e seus dois irmãos foram alfabetizados em inglês, após seus pais receberem bolsas de estudo nos Estados Unidos.

Apesar do contexto privilegiado, Supla (descrito como alto, magro e loiro de cabelo espetado) voltou ao Brasil para morar com os avós, onde descobriu o rock. Fã dos Beatles e da presença de palco de Mick Jagger, ele montou sua primeira bateria com latas e panelas. Nos anos 70, ele descobriu o movimento punk.

Após aventuras que incluíram surfar no Havaí, jogar futebol na Noruega e assistir a David Bowie na Alemanha, ele formou a banda Tóquio. O nome foi sugerido por Tico Terpens, da Joelho de Porco. O som da banda era classificado como synth pop ou punk tecnológico, com visual de “punk de boutique”.

Em 1985, mesmo com os pais envolvidos na política (Eduardo era deputado e Marta conhecida por seu quadro no TV Mulher), eles apoiaram o filho. O compacto de estreia pela Som Livre, que incluía a música “Mão Direita” (com insinuações sobre masturbação), foi censurado para radiodifusão.

A crítica, contudo, recebeu a banda com indiferença, preferindo focar na origem familiar. Supla foi logo comparado a Billy Idol e definido pelo JB do Rio como “punk burguês”.

O Sucesso da Tóquio e o Encontro com Nina Hagen

A Tóquio foi contratada pela CBS e, aproveitando a imagem e performance de Supla no palco (que a crítica não podia negar), a aposta deu certo. O LP Humanos (março de 1986) gerou o hit “Garota de Berlim”, após Supla convidar a alemã Nina Hagen – com quem teve um breve romance. A banda vendeu mais de 100.000 cópias, e Supla virou símbolo sexual.

Contudo, a pressão e a inexperiência dos jovens membros, que não tinham 20 anos, cobraram seu preço. O álbum seguinte, O Outro Lado (1987), vendeu apenas 40.000 cópias. Supla reclamava que a crítica “esquece de ouvir nossas músicas para falar de nossas famílias”. A banda se desfez em 1989, mas Supla já decolava em carreira solo, lançando seu primeiro disco e estrelando propagandas e o filme Uma Escola Atrapalhada ao lado de Angélica.

A Vida de Zé Ninguém em Nova York

No final dos anos 90, Supla rompeu o contrato e decidiu se mudar para os Estados Unidos. Em 1991, ele chegou a se apresentar no Rock in Rio no mesmo dia de Billy Idol, após ser convidado por Dodd Sirena.

Em 1993, Supla se mudou para Nova York para ser um “zé ninguém” e cortar todos os seus méritos pessoais ligados ao berço de ouro. O dinheiro acabou em cinco meses, e seus pais avisaram que não iriam ajudar. Para sobreviver, ele fez bicos, trabalhou até como demolidor de paredes, e chegou a ser contratado por Luciano Huck para gravações do programa H.

Sua vida em Nova York era sem glamour ou assédio, mas ele era livre. Ele formou a banda Cycle 69 e viveu situações perigosas, como levar um tiro no meio de uma confusão e jogar futebol para o time da máfia colombiana. Foi nesse período que compôs “Green Hair” (sobre Mônica, uma punk por quem se apaixonou), gravada na casa de um traficante.

O Retorno e a Redescoberta Pop

Após sete anos, Supla voltou ao Brasil para ajudar na campanha de sua mãe à prefeitura de São Paulo, que foi eleita.

Foi então que ele foi redescoberto. O VJ Marcos Mion, no programa Piores Clipes do Mundo da MTV, resgatou e fazia piadas com o clipe caseiro de “Green Hair”, bem como com o sotaque e trejeitos de Supla (como ao dizer “JP”). A música virou um clássico trash no Brasil, e Supla levou a situação na esportiva.

A consagração na mídia de massa veio com o convite de Silvio Santos para a primeira edição do reality show Casa dos Artistas no SBT. Supla ficou em segundo lugar e se envolveu com a vencedora, Bárbara Paz. O sucesso foi estrondoso: seu CD solo vendeu 300.000 cópias, e ele declarou ter ficado rico.

Carreira Recente e Status de Camaleão

Com o irmão João, ele montou a Brothers of Brazil, que mistura Punk e Bossa Nova, chegando a se apresentar nos EUA e na Inglaterra. Em 2014, ele estrelou o reality Papito in Love na MTV.

Durante a pandemia, Supla viralizou com um clipe de kung fu. Mais recentemente, ele passou a cantar com a banda Punks de Boutique, com quem lançou o single “Mamas Boy”.

Em uma coincidência incrível, ele foi confirmado como atração de abertura do show de Billy Idol em São Paulo, em novembro. Segundo Júlio Ettore, Supla é um camaleão, tal qual seu ídolo de verdade, David Bowie

Clayton Matos

Diretor de Redação

Clayton Matos é jornalista formado na Universidade Federal do Pará no curso de comunicação social com habilitação em jornalismo. Trabalha no DIÁRIO DO PARÁ desde 2000, iniciando como estagiário no caderno Bola, passando por outras editorias. Hoje é repórter, colunista de esportes, editor e diretor de redação.

Clayton Matos é jornalista formado na Universidade Federal do Pará no curso de comunicação social com habilitação em jornalismo. Trabalha no DIÁRIO DO PARÁ desde 2000, iniciando como estagiário no caderno Bola, passando por outras editorias. Hoje é repórter, colunista de esportes, editor e diretor de redação.