
Em sintonia com o clima da COP30 e com os debates globais sobre ancestralidade e sustentabilidade, a CAIXA Cultural Belém apresenta a exposição “Espíritos da Floresta: MAHKU”, com curadoria de Aline Ambrósio. A mostra reúne cerca de 30 obras inéditas do coletivo indígena MAHKU, formado por sete artistas huni kuin, e integra o circuito cultural que acompanha a conferência da ONU.
A exposição, patrocinada pela Caixa Econômica Federal e pelo Governo Federal, dá destaque ao movimento “vende tela, compra terra”, por meio do qual o coletivo destina a venda de suas obras para adquirir áreas no entorno das aldeias huni kuin, reforçando a proteção territorial e a preservação da Floresta Amazônica no Acre.
Nova referência cultural no Norte
A mostra marca a inauguração da CAIXA Cultural Belém, primeiro espaço da instituição na região Norte. Localizada no Porto Futuro II, ao lado de equipamentos como o Museu das Amazônias e o Parque da Bioeconomia, a unidade se tornou um novo polo cultural da cidade, com teatro, três galerias e salas de formação. Desde outubro, já recebeu mais de 50 mil visitantes.
Arte, espiritualidade e cura
A exposição traz um conjunto inédito de pinturas que traduzem visualmente os cantos sagrados huni meka, com ênfase nos cantos de cura. As obras evocam animais, rios, espíritos e medicinas tradicionais, transformando oralidade em imagem e estabelecendo conexões entre mundos.
Segundo a curadora Aline Ambrósio, “a arte do MAHKU é uma voz direta da floresta, que traz equilíbrio, cura e preservação. É um chamado para escutar os povos originários no enfrentamento à crise climática”.
Para Ibã Huni Kuin, liderança do coletivo, o momento é simbólico:
“Não dá para falar em futuro ou sustentabilidade sem ouvir quem protege esses territórios há milhares de anos. A arte do MAHKU é o espírito da floresta falando com o mundo”.
Programação paralela
A CAIXA Cultural Belém promoverá rodas de conversa, oficinas, cursos e mediações culturais, aproximando o público da cosmovisão indígena e do universo político e espiritual que atravessa a obra do coletivo. A agenda pode ser acompanhada pelo Instagram: @espiritosdaflorestamahku e @caixaculturalbelem.
O coletivo MAHKU
O Movimento dos Artistas Huni Kuin surge na Terra Indígena Kaxinawá do Rio Jordão (AC). Reconhecido internacionalmente, já expôs no MASP, Pinacoteca, Fondation Cartier (Paris) e na 60ª Bienal de Veneza, consolidando-se como uma das referências mais fortes da arte indígena contemporânea.
A curadora
Aline Ambrósio, indígena Tupi-Guarani, é curadora, expógrafa, pesquisadora e produtora cultural. Com atuação marcada por temas como natureza, ancestralidade e decolonialidade, realizou projetos em instituições como Pinacoteca de São Paulo, CCBB, IMS, SESC-SP e Museu Oscar Niemeyer.
Serviço
Exposição: “Espíritos da Floresta: MAHKU”
Curadoria e realização: Aline Ambrósio
Visitação: até 25 de janeiro de 2026
Local: CAIXA Cultural Belém – Av. Mal. Hermes, s/n, Armazém 6, Porto Futuro II – Umarizal, Belém/PA
Horário: terça a sábado, 11h às 22h; domingos e feriados, 12h às 22h
Entrada: gratuita
Editado por Luiz Octávio Lucas