Belém recebe Marcha pelo Clima e pela Saúde em meio a debates da COP30

Belém será palco, nesta terça-feira (11), de uma mobilização que busca recolocar a saúde pública no centro das discussões climáticas globais. A Marcha Global Saúde e Clima reunirá representantes de povos tradicionais, instituições científicas, entidades civis, estudantes e profissionais da saúde, durante a programação paralela da COP30, realizada na capital paraense.

A iniciativa, que integra uma agenda internacional de organizações de pesquisa e movimentos socioambientais, surge em um momento em que especialistas apontam para o avanço acelerado dos impactos das mudanças climáticas sobre a saúde humana. Estudos recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que fenômenos extremos, como ondas de calor, enchentes e ampliação de áreas de transmissão de doenças vetoriais, já configuram uma nova fronteira de risco sanitário global.

Pressão por políticas públicas estruturantes

A marcha pretende evidenciar que os efeitos da crise climática ultrapassam o campo ambiental e demandam respostas coordenadas entre governos, sistemas de saúde e estratégias de adaptação urbana. Entre as reivindicações estão:
• fortalecimento da atenção primária em territórios vulneráveis;
• monitoramento climático integrado aos sistemas epidemiológicos;
• planos de contingência para eventos extremos;
• controle de poluentes atmosféricos em áreas urbanas;
• proteção de povos e comunidades tradicionais expostos a desmatamento e queimadas.

A atividade também marca o lançamento da Rede Saúde e Clima Brasil, plataforma de articulação entre universidades, coletivos profissionais e órgãos públicos. O encontro ocorrerá às 15h, na Embaixada dos Povos (Av. Duque de Caxias), onde também acontecerá a concentração para a marcha, às 17h.

Participação institucional no Pará

A adesão dos Conselhos Estadual e Municipal de Saúde de Belém reforça o posicionamento de que as populações mais afetadas pela crise climática são aquelas que historicamente têm menor acesso a infraestrutura, saneamento e serviços de saúde.

Os presidentes do CMS e do CES, Osvaldo Carvalho e Dani Cruz, destacam que a discussão ambiental precisa ser acompanhada de planejamento sanitário:

“O debate climático precisa sair do campo da compreensão abstrata e passar a orientar políticas de proteção à vida. Os impactos já estão acontecendo e recaem primeiro sobre quem tem menos garantias. É uma pauta de equidade.”

Amazônia como referência — e alerta

Com a COP30 instalada em uma região que concentra a maior floresta tropical do planeta, a marcha reforça a ideia de que soluções climáticas devem considerar território, cultura, saúde pública e justiça socioambiental.
Belém, marcada por inundações recorrentes, ondas de calor extremo e desigualdade urbana, torna-se vitrine e estudo de caso simultaneamente.

O ato desta terça representa, portanto, mais que um protesto: é uma tentativa de reposicionar a saúde como elemento estrutural da agenda climática internacional, e não apenas como consequência futura da crise ambiental.